sábado, 20 de abril de 2013

MEMÓRIA DA VIRGEM MARIA, MÃE DO BOM PASTOR


Origem da Invocação

A origem da invocação: Maria, Mãe do Bom Pastor ou Divina Pastora das almas foi dada a conhecer na Igreja pelo religioso capuchinho Frei Isidoro de Servilha OFM (Espanha). Frei Isidoro certa noite do dia 31 de maio, não se sabe, se uma inspiração, um sonho misterioso ou até mesmo uma aparição. Estava ele rezando a Maria, de repente, uma luz extraordinária iluminou a capela, e no meio, apareceu a Santíssima Virgem vestida de pastora, rodeada de ovelhas e então ela disse: “Eu sou a divina pastora das almas. Queres que os homens cumpram os mandamentos do meu Filho? Pede, pois, aos missionários que confiem aos meus cuidados os seus rebanhos e lhes asseguro que os pecadores, mesmo os mais endurecidos, voltarão a mim, dóceis e mansos como ovelhas”.

Ao amanhecer Frei Isidoro confiou ao pintor Alonso Tavar a execução de um quadro com as seguintes características: “No centro, pintarás a Santíssima Virgem Maria à sombra de uma arvore, sentada sobre uma pedra, irradiando um semblante de amor e ternura; a túnica vermelha será coberta por um manto branco aos joelhos, amarrado a cintura um manto azul cobrirá o ombro esquerdo, terá um chapéu pastoril e na mão direita o cajado, símbolo da misericórdia com que defende o seu rebanho. Algumas ovelhas rodearão a Virgem Maria, ao longe se vê uma ovelha perdida e um lobo saindo da caverna, pronto a devorá-la. Aparece no céu o arcanjo São Miguel com o escudo pronto para desfechá-lo sobre o lobo maldito. Todo traje é de uma humilde pastora, porém seu corpo parece formoso e elegante, assemelhando-se a descrição do cântico dos cânticos”.


Aprovação Canônica

Pio VI, em 1º de agosto de 1795, instituiu canonicamente a festa em honra da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe do Divino Pastor. Foi o Beato Diego José de Cádiz um dos que mais trabalhou em excesso por obter o referendo pontifício em favor da Divina Pastora, que presidia suas missões populares. O papa concedeu aos Frades Capuchinos da Espanha que pudessem venerar como singular Patrona de suas missões à Mãe do Bom Pastor, Jesus Cristo, poderosa mediadora entre ele e nós, seu povo e ovelhas de seu rebanho. Sua festa celebra-se no III sábado da páscoa, anterior ao domingo do Bom Pastor.


sexta-feira, 19 de abril de 2013

IMITAR O BOM PASTOR

Santa  Maria Eufrasia Pelletier


“Sois destinados a serem outros bons pastores”.

Jesus Cristo, o Bom Pastor, é o verdadeiro modelo que devemos esforçar-nos por imitar para adquirirmos a perfeição do nosso estado. Pois que Ele se dignou associar-nos a sua obra, e nos pôs, por assim dizer, em seu lugar no redil em que reuniu tantas ovelhas infelizes, nós por nossa parte havemos de formar-nos no seu espírito, e viver da sua mesma vida. Nenhum bem fareis, meus queridos filhos, nem tereis o espírito da vossa vocação, se não vos revestirdes dos pensamentos, sentimentos e afeições do Bom Pastor, do qual deveis ser vivas imagens. Ora, que é que Jesus Cristo diz de Si mesmo? Eu vim para salvar o que estava perdido (Lc. 19,10).

E o que fez Ele? Foi atrás dos pecadores com solicitude paternal, suportando toda a sorte de fadigas para os atrair a Si. Recordai-vos da inefável bondade com que acolheu Madalena. Vede-O sentado a beira do poço de Jacó. Está fatigado, e descansa um pouco. É que espera uma alma; quer converter a Samaritana. Considerai-O após a Ressurreição, sempre no seu ofício de Bom Pastor, indo atrás das duas ovelhas que deixavam descoroçoadas e tristes, Jerusalém, a cidade da paz, para ir a Emaús, terra de confusão. Introduziu-se na companhia de dois discípulos de alma consternada e fé vacilante. Caminhava com eles, nem mais depressa nem mais devagar, tomava parte na sua conversa, acomodando- se a sua fraqueza, para instruí-los e iluminar lhes as trevas do espírito.

Eis, queridos filhos, o exemplo que devemos seguir, pois, por vocação, deveis tornar-vos bons pastores, e tendes de imitar a abnegação e espírito de caridade e de zelo do próprio Jesus Cristo. Como Ele, deveis ir a Emaús a procura das ovelhas que fogem, e cumprindo junto delas o oficio de bom pastor, haveis de reconduzi-las ao redil. É difícil! tal tarefa, mas é grande, nobre e divina aos olhos da fé. Não deveis nunca desalentar com os obstáculos.

É Deus que algumas vezes os põe diante de nós para estimular o nosso zelo, quando somos tentados de tibieza. O objeto dos nossos pensamentos, desejos, palavras e ações, devem ser a salvação das nossas queridas ovelhas, a exemplo do Salvador, cujos pensamentos, desejos, atividades e trabalhos não tiveram outro fim. De resto, as maravilhas que Ele tantas vezes opera nelas, mostram-nos bem claramente quanto Ele deseja a sua salvação. Abrasai-vos, pois, de santo zelo para salvar estas almas confiadas aos vossos cuidados. Seja esta a ocupação da vossa vida. 

Que este pensamento vos siga sempre, na vossa oração para a tornardes mais fervoroso, nas vossas comunhões para inflamá-las com mais vivos afetos, na prática dos vossos deveres para vos abrasar sempre mais no fogo da caridade e do zelo. Não vos esqueçais de que para trabalhar eficazmente na salvação das almas é preciso ser santo, todo de Deus, sem se preocupar consigo mesmo, nem com as criaturas. Jesus Cristo escolheu-nos, associou-nos a sua missão salvadora no meio dos povos, a fim de produzirdes frutos. Mas que frutos? Frutos de conversão e de salvação. É assim que sobre vós atraireis abundantemente as mais amplas bênçãos e graças. Tornai-vos dignos da vossa sublime vocação, por um zelo ardente, ativo, vigilante, e por uma caridade sem limites, tomando sempre por modelo o Pastor dos Pastores.