segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

B. Mariae Virginis DIVINI PASTORIS MATRIS


Pio VI, em 1º de agosto de 1795, instituiu canonicamente a festa em honra da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe do Divino Pastor. Foi o Beato Diego José de Cádiz um dos que mais trabalhou em excesso por obter o referendo pontifício em favor da Divina Pastora, que presidia suas missões populares. O papa concedeu aos Frades Capuchinos da Espanha que pudessem venerar como singular Patrona de suas missões à Mãe do Bom Pastor, Jesus Cristo, poderosa mediadora entre ele e nós, seu povo e ovelhas de seu rebanho.




Deixa-me ver tua face, deixa-me escutar tua voz, porque é muito doce e bela tua face.  

A origem da invocação Maria, Mãe do Bom Pastor ou Divina Pastora foi dada a conhecer na Igreja pelo religioso capuchinho Frei Isidoro de Servilha OFM (Espanha). Frei Isidoro certa noite do dia 31 de maio, não se sabe, se uma inspiração, um sonho misterioso ou até mesmo uma aparição. Estava ele rezando a Maria, de repente, uma luz extraordinária iluminou a capela, e no meio, apareceu a Santíssima Virgem vestida de pastora, rodeada de ovelhas e então ela disse: “Eu sou a divina pastora das almas. Queres que os homens cumpram os mandamentos do meu Filho? Pede, pois, aos missionários que confiem aos meus cuidados os seus rebanhos e lhes asseguro que os pecadores, mesmo os mais endurecidos, voltarão a mim, dóceis e mansos como ovelhas”.

Ao amanhecer Frei Isidoro confiou ao pintor Alonso Tavar a execução de um quadro com as seguintes características: “No centro, pintarás a Santíssima Virgem Maria à sombra de uma arvore, sentada sobre uma pedra, irradiando um semblante de amor e ternura; a túnica vermelha será coberta por um manto branco aos joelhos, amarrado a cintura um manto azul cobrirá o ombro esquerdo, terá um chapéu pastoril e na mão direita o cajado, símbolo da misericórdia com que defende o seu rebanho. Algumas ovelhas rodearão a Virgem Maria, ao longe se vê uma ovelha perdida e um lobo saindo da caverna, pronto a devorá-la. Aparece no céu o arcanjo São Miguel com o escudo pronto para desfechá-lo sobre o lobo maldito. Todo traje é de uma humilde pastora, porém seu corpo parece formoso e elegante, assemelhando-se a descrição do cântico dos cânticos”.


Hino

Aclamamos-te por Mãe e Senhora
Tu és causa da nossa alegria;
Nossa Rainha, a corredentora.
Que quis mostrar-se Pastora
Oh! Humílima Virgem Maria!

Trocaste o augusto diadema
Por um simples chapéu com flores,
Papoulas e espigas sua gema
É um cajado humilde teu emblema
De Pastora entre tantos pastores.

Qual ninguém conheces a fonte
Manancial de águas tranquilas
À sombra do Onipotente
Não há ovelha que não se apascente
Quando Tu, qual Pastora, vigias.

Quão feliz é contigo o rebanho!
Recosta-o em verdes pradarias
O conduz com alegria e sem dano
Defende-o do mal e do engano,
E em guardar do lobo te esforçarias.

Quem a Ti se confiou não falha
Ao cruzar as gargantas escuras,
Protege-o em toda batalha,
Tu és luz, escudo e muralha.
Acha-lhe pasto nas penas mais duras.

Glória Àquele que a quis tão bela!
Glória ao Filho, sua sorte e seu encanto.
- Astro Rei que nasceu de uma estrela-
Pela obra que Ele fez nela,
Glória seja ao Espírito Santo.


Maria Mãe do Bom Pastor!
Rogai por nós


sábado, 7 de janeiro de 2012

O SACERDOTE E MARIA

Edvaldo Pinho
Seminário Maria Mater Ecclesiae


O sacerdote, configurado ao Único Sacerdócio Santo, o de Cristo, da descendência de Melquisedeque, nascido em Nazaré, particularmente uma manjedoura, tem seu auge na medida em que se assemelha à vida da Virgem Maria; a única mulher que pode ser comparada, na prática das virtudes, com o seu Filho. No que diz respeito à vida de um sacerdote católico, Maria é a vida-modelo para de sua santificação.

Na carta Encíclica, Rosarium Virginis Mariae, o papa nos chama a atenção para contemplarmos Cristo com o olhar e o coração de Maria, uma vez que o sacerdote é Alter Christus, ou seja, é outro e mesmo Cristo; e é convidado a ser pai e mãe de uma comunidade de batizados como assim o próprio Cristo foi. Assim, a relação de Mãe e Filho, é a relação de Mãe e sacerdote.
São inúmeros os títulos que podemos comparar Maria e o Sacerdote. Encontraremos alguns deles na Bíblia como:

O sacerdote é o homem do Anúncio. Assim como Maria anunciou a chegada do seu Filho a sua prima Isabel (cf. Lc 1, 41), o sacerdote deve ser aquele que anuncia este mesmo Cristo que vem.

O sacerdote é o homem de silêncio. Se olharmos no Evangelho de Lucas, encontraremos Maria exercendo aquilo que de mais compraz ao seu filho. Mesmo não sabendo do que estava acontecendo, Ela confiava nas ações de Deus e guardava tudo em seu coração (cf. Lc 2, 51). Muitas das vezes o sacerdote deve também fazer como Maria: não entendendo sua própria missão, deve guardar tudo em seu coração e orar a Deus.

O sacerdote é o homem de oração. Numa carta recente aos sacerdotes, o papa Bento XVI exorte que o sacerdote sem oração é um sacerdote em perigo. Nos Atos dos Apóstolos encontramos várias pessoas em oração, dentre elas, Maria, Mãe de Jesus (cf. At 1, 14). Se ela orou, como o sacerdote pode deixar de fazer o mesmo?

O sacerdote deve ser humilde como exclamou Maria no Magnificat: “... porque olhou para a humildade de sua serva...”. E, em sua humildade, o sacerdote se torna mais servo de Deus.


 São inúmeros os títulos marianos citados na Bíblia, sem mencionar os de devoção popular, que podem ser aplicados ao sacerdote católico. Além do mais, ele é o cristão mais amado de Nossa Senhora, pois, como diz Dom Rafael Cifuentes, “Maria trouxe o Cristo uma vez, o sacerdote O traz em todas as missas”.



JHS



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

SEMANA NAS SAGRADAS CHAGAS

São Francisco de Sales



Por suas chagas nós fomos curados (1Pd 2.24)


Entrai cada dia da semana numa das Chagas Sagradas do vosso amoroso Salvador:

No domingo, entrai nas chagas do Lado;

Na segunda-feira, na chaga do pé esquerdo;

Na terça-feira, na chaga do pé direito;

Na quarta-feira, na chaga da mão esquerda;

Na quinta-feira, na chaga da mão direita;

Na sexta-feira, nas cicatrizes da sua adorável cabeça;

No sábado, voltai ao lado sagrado, a fim de por ele começardes e acabardes a semana.



V+J

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ORANDO E MEDITANDO COM SANTA TERESA DE JESUS



Darlan Santos
Seminário Maria Mater Ecclesiae


Que profundidade espiritual alcançou Santa Teresa de Jesus, a tal ponto de expressar em poucas palavras, uma grande realidade que todos os homens almejam: a Paz. Certamente a paz que o mundo oferece não é a mesma de Cristo, pois esta é uma paz que exclui os problemas e a de Cristo vem acompanhada da Cruz, não exclui as dificuldades, os problemas cotidianos da vida. A paz que vem de Deus é a experiência de seu amor eterno e misericordioso. Vamos meditar cada frase desta máxima de Santa Teresa em forma de diálogo com Deus, nosso Bom Pai.

Nada te perturbe,
Senhor, meu Pai e meu amigo, tu me criaste para viver junto de ti em paz contigo e com todos os que estão ao meu redor; é verdade que as ações deste mundo têm tirado minha paz, me tem feito ter medo de tudo. Agora eu me lanço em teus braços numa atitude de abandono e poder escutar do teu coração paternal: Nada te perturbe pois eu estou contigo todos os dias, todos os momentos e todos os acontecimentos. Que nada me perturbe meu amado Pai e nada me afaste do teu olhar misericordioso.

Nada te espante,
O espanto algumas vezes me quer levar para outros caminhos, meu Senhor. O espanto é assustador e me faz afastar-me da verdadeira felicidade, que estar junto do teu coração de Pai. Desejo hoje e sempre não me afastar da tua presença paciente e rica de amor e bondade. Que cada dia e cada noite eu escute de ti: Nada te espante, pois eu estou aqui para te defender de todos os perigos e de todos os assombros do mal. Creio profundamente na tua presença protetora, que sempre me defenderá de todas as ciladas do inimigo da minha alma. Porque me espantar se Tu estás comigo, tranquiliza-te oh minha pobre alma, pois o Senhor está ao teu lado.

Tudo passa,
Senhor, tudo nesta vida passa, menos a tua palavra e o teu amor por mim que sou teu pequeno filho. As coisas desta vida, a vaidade, a moda e até mesmo as pessoas passam, mas o teu amor misericordioso nunca passará, pois é imutável e as coisas são mutáveis. Tu meu Pai não está limitado a nada nesta terra. Dai-me meu Pai a graça da compreensão de que não vale a pena depositar minha confiança naquilo que passa, mas somente em Ti que é o eterno e imutável. Perdoa-me meu amabilíssimo Pai por todas as vezes que acreditei nas coisas e nas pessoas, mais quem em Ti, perdão pela minha falta de confiança, agora quero crer que tudo passa.

Deus não muda,
Que alegria ao meu coração em saber que Tu Senhor não muda, e que Tu és como Jesus transmitiu: rico em misericórdia. Que alegria saber que teus mandamentos são eternos e que só tendem a minha santificação e salvação. Ó meu boníssimo Pai, inflamai meu coração desta certeza da tua imutabilidade, da tua onipresença e da tua onipotência. Reconheço que tantas e tantas vezes tenho sido inconstante diante do teu amor, tão infiel e tão frágil, mas Tu eu sempre o senti tão fiel, tão verdadeiro, tão misericordioso e tão bom; dai-me Senhor esta permanência no amor, a fidelidade que nunca muda para que eu não vacile na fé no teu aconchego paternal.

A paciência tudo alcança;
Oh paciência bendita que Jesus tanto amou na sua Paixão, oh virtude dos santos, oh escola de santidade. A paciência significa: ciência do sofrimento. Meu Pai quem teve mais paciência comigo do que Tu, quando cai, quando me afastei de Ti como a ovelha foge do seu pastor. Quem teve mais paciência nesta terra com a miséria humana do que Tu, meu misericordioso Pai; como é grande tua paciência comigo. Se não fosse tua paciência eu já estaria perdido e afastado completamente do teu coração. Dai-me a graça de ser paciente para alcançar de Ti e para compreender tua divina vontade, dai-me paciência comigo mesmo e com todas as realidade que a vida me prepara, dai-me paciência na dor e nas cruzes que Tu me enviares. Senhor fazei-me paciente para alcançar a Ti.

Quem a Deus tem nada falta:
Muitas vezes tenho andando a busca de sentido para minha existência, buscava na coisas, em mim mesmo, nas instituições e na pessoas, isso só me deu vazio; mas creio que um dia te encontrei dentro de mim mesmo. Tu habitas o meu coração e é isso que dar sentido a minha existência, é a tua presença amorosa, porque Tu és amor. Nada nesta vida pode me faltar se tenho a Ti, nada pode me fazer vacilar porque Tu és o porto seguro onde posso encontrar força para me sustentar. Ter a Ti é superior a ter qualquer coisa deste mundo, tu és superior a tudo o que tu criaste, por isso escolher a Ti é ter tudo para nada faltar. Nada me falta Senhor, pois Tu estás comigo e em mim.

 Só Deus basta.
Deus do meu coração, misericórdia sem fim, bondade infinita, paciência eterna, Tu me basta porque Tu és tudo e se tenho a Ti tenho tudo para ser feliz e ser santo. Selai em meu coração mutável este profundo desejo de gritar para o mundo que só Tu me basta, que só Tu és o caminho a verdade e a vida. És o meu criador e somente a Ti devo amar, adorar, glorificar e louvar. Que minha alma exclame sem hesitação nenhuma: Só Deus basta! Porque como dizia São Francisco de Sales: “Que a Deus não basta, nada basta”. Tu me basta!



JHS



terça-feira, 3 de janeiro de 2012

TUA CRUZ

São Francisco de Sales



A Sabedoria Eterna de Deus, desde o princípio, previu a Cruz que Ele te envia do fundo do seu coração, como um presente precioso! 

Antes de enviá-la a ti, Ele contemplou-a com seus olhos oniscientes! 
Meditou-a com seu divino intelecto!

Examinou-a à luz da sua sábia justiça! – Deu-lhe calor, apertando-a nos seus braços carinhosos! – Suspendeu-a com as duas mãos, talvez não fosse de um milímetro demasiado longa ou de um miligrama demasiado pesada!

Depois abençôo-a no seu Santíssimo Nome, cobriu-a do bálsamo da sua graça e do perfume da sua consolação! Enfim, ainda olhou para ti; confiou na tua coragem...

Por isso é que a cruz vem a ti do céu, como uma visitação do Senhor! Como uma esmola do seu amor misericordioso!


domingo, 1 de janeiro de 2012

O SACERDOTE E O AMOR

São José Cafasso


Nascemos para amar, vivemos para amar, morremos para ama ainda mais. É este, irmãos, nosso fim aqui na terra; este será, assim esperamos, o nosso destino futuro eterno. “Feliz daquele – diz Santo Agostinho – que aprendeu esta ciência o amor”. “O senhor é que é feliz! – dizia um bom leigo o grande doutor São Boaventura – feliz é o senhor que aprendeu e conhece tanta coisa!” – “Ah, meu filho – respondeu o santo – não tenha inveja da minha ciência; uma velhinha que sabe amar a Deus, sabe tanto quanto frei Boaventura...”

Esta resposta, que causou maravilha e admiração naquela alma simples, pode fornecer-nos a matéria para reflexão e confusão. Às vezes pensamos que conhecemos alguma coisa neste mundo; e, depois de tantos anos de estudo, parece-nos quase um insulto ter que tratar com certas pessoas rudes e ignorantes; contudo, se elas amam a Deus, sabem fazê-lo tão bem quanto nós, e, às vezes, melhor do que nós.

Existem, às vezes entre estas pessoas, corações muito zelosos, cheios de amor, enquanto os nossos, com tanta ciência, estão frios e gelados. E que vale toda a nossa ciência, se nos falta a primeira e principal, que é saber amar a Deus? Grande tesouro é para uma família, para uma cidade, um sacerdote que saiba amar, que viva e arda de caridade! Quanto bem se poderá esperar do exercício do seu ministério!

“Oh! Como é agradável! – dizia Santo Agostinho – falar de amor! Mas, é muito mais agradável praticá-lo!”.

Ah! Queira Deus que, inflamados hoje deste fogo celeste, começássemos aqui na terra, neste vale de lágrimas, o caminho de amor que, espero, um dia, será meu e vosso para sempre no céu!



sábado, 31 de dezembro de 2011

SOLENIDADE DE SANTA MARIA MÃE DE DEUS

Theotokos de Vladimir

Na Igreja Católica, a solenidade da Theotokos é comemorado em 1 de janeiro, juntamente com o Dia Mundial da Paz. Esta solenidade data cerca de 500 d.C e foi originalmente comemorado nas Igrejas Orientais.
Definição dogmática pelo Concílio de Éfeso

O uso do termo Theotokos foi formalmente afirmado como dogma no Terceiro Concílio Ecumênico realizado em Éfeso, em 431. A visão contrária, defendida pelo patriarca de Constantinopla Nestórioera que Maria devia ser chamada de Christotokos, que significa "Mãe de Cristo", para restringir o seu papel como mãe apenas da natureza humana de Cristo e não da sua natureza divina.
Os adversários de Nestório, liderados por Cirilo de Alexandria, consideravam isto inaceitável, pois Nestório estava destruindo a união perfeita e inseparável da natureza divina e humana em Jesus Cristo, uma vez que em Cristo "Verbo se fez carne" (João 1:14), ou seja o Verbo (que é Deus - João 1:1) é a carne; e a carne é o Verbo, Maria foi a mãe da carne de Cristo e por consequencia do Verbo. Cirilo escreveu que "Surpreende-me que há alguns que duvidam que a Virgem santa deve ser chamada ou não de Theotokos. Pois, se Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, e a Virgem santa deu-o à luz, ela não se tornou a [Theotokos]?"[2] A doutrina de Nestório foi considerada uma falsificação da Encarnação de Cristo, e por consequência, da salvação da humanidade. O Concílio aceitou a argumentação de Cirilo, afirmou como dogma o título de Theotókos de Maria, e anamatizou Nestório, considerando sua doutrina (Nestorianismo) como uma heresia.

TRADUÇÃO
Sua tradução literal para o português incluí "portadora de Deus". Na teologia calcedoniana Maria é a Theotokos, porque seu filho Jesus é simultaneamente Deus e homem, divino e humano, Theotokos, portanto, refere-se à Encarnação, quando Deus assumiu a natureza humana em Jesus Cristo, sendo isto possível graças à cooperação de Maria.
Traduções menos literais incluem Mãe de Deus. Católicos, anglicanos, e algumas denominações protestantes usam com mais freqüência o título de "Mãe de Deus" do que "Theotokos". O título de Maria como Mãe de Deus em alguns ocasiões causa má interpretação, esse título não refere-se à Maria como Mãe de Deus desde a eternidade (no Kairos), mas apenas como mãe de Jesus, que por ser verdadeiramente Deus, torna-se também a Mãe de Deus na Terra (noChronos). Em contrapartida, Theotokos torna explícito seu significado teológico, excluindo assim qualquer mal-entendido da maternidade divina de Maria.
Diversos Padres da Igreja nos três primeiros séculos defendem Maria como a Theotokos, como Orígenes (254), Atanásio (330) e João Crisóstomo (400). OConcílio de Éfeso decretou esta doutrina dogmaticamente em 431.

Santa Maria Mãe de Deus
Rogai por nós!

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.