sábado, 23 de março de 2013

O CORDEIRO E O PASTOR

Pe. Alessandro de Borbón LC


Ao pensar na palavra “pastor”, vem logo à nossa mente a figura do Bom Pastor, aquele que vela pelas suas ovelhas; que está disposto a deixar as noventa e nove para ir atrás daquela que se perdeu; que coloca a ovelha perdida sobre os seus ombros e a carrega com amor e paciência. O Bom Pastor vive em função das suas ovelhas. São a única preocupação e dedicação. Busca levá-las para melhores pastagens, para onde tiver água. No momento do perigo levanta o seu bastão e o seu cajado para que elas se sosseguem. Protege a cada uma delas. Conhece e chama cada uma por seu nome. Sem dúvida, Jesus é o nosso Bom Pastor que assumiu a nossa condição humana e veio ao nosso encontro. Ele nos leva a uma vida nova, onde podemos encontrar a vida verdadeira e deixar a nossa vida de pecado, os nossos medos e complexos.

Quando pensamos na palavra “cordeiro”, imaginamos a um animal dócil, indefeso, manso, que precisa ser conduzido e protegido. Que fica quieto e vulnerável diante do tosquiador. Cristo nestes dias também de apresentará como manso cordeiro conduzido ao matadouro. Como ovelha muda diante do tosquiador. Ficará calado diante dos que o julgam. Não abrirá a boca quando será maltratado. Suportará tudo sem nenhuma queixa. Como o cordeiro expiatório que era enviado ao deserto carregando sobre si todos os pecados, Cristo carregará sobre si os nossos pecados. Será triturado por causa das nossas iniqüidades. O castigo que nos salva pesará totalmente sobre Ele. E seremos curados graças às suas chagas.

Ser Cordeiro e ser Pastor: missão de Jesus Cristo, missão de todos os sacerdotes. Mas para poder ser pastor, devemos em primeiro lugar sermos cordeiros. A verdadeira missão de Cristo só foi entendida plenamente à luz da sua morte e ressurreição. Somente quando ele se fez cordeiro e se entregou voluntariamente é quando pode chegar ao consumatum est. E começou a ser plenamente pastor universal de todos nós com o seu exemplo e ao dar a sua vida. Não existe melhor amigo que aquele que dá a sua vida pelos amigos (Jo 15,13). O sacerdote começará a ser verdadeiramente sacerdote e pastor quando entender que a sua missão é carregar sobre si as penas dos pecados dos outros. O Cura d´Ars ao dar a penitencia durante a
confissão buscava ser misericordioso e suave com o penitente. Mas era exigente e árduo consigo mesmo, obrigando-se a dar uma penitencia pesada para si em reparação pelo pecado escutado.

Também como manso cordeiro, devemos ser conduzidos ao matadouro e no “martírio branco” da nossa vida ordinária – nas pequenas renuncias (e quantas renuncias devemos fazer todos os dias), nos pequenos oferecimentos e sacrifícios -, devemos aprender a morrer pouco a pouco, dia a dia, às nossas paixões, ao nosso egoísmo e a nós mesmos. Aprendeu sofrendo e obedecer e obedeceu até a morte. Não existe redenção sem morte e ressurreição. Não existe sacerdócio sem cruz. Não existe Cristo e cruz sem Cristo. Levamos cada um a nossa cruz, mas sabemos que é a cruz de Cristo. E é a cruz que nos levará à redenção. Se não pregamos a Cristo e Cristo crucificado, não estaremos cumprindo a nossa missão. Mas sabemos igualmente que depois da cruz vem a ressurreição. Vã seria a nossa fé se não fosse pela ressurreição.

Nesta Semana Santa, vamos fazer a experiência de sermos cordeiros, de oferecermos em sacrifício as nossas vidas para podermos ser bons pastores.


CONSAGRAÇÃO

Senhor Jesus Cristo, Pastor da minha alma. Consagro-me inteiramente a Vós:
Consagro-vos meus olhos para contemplar-vos, meu coração para amar-vos, meus ouvidos para escutar-vos, minha língua para anunciar-vos e minha vocação para imitar-vos.
Entrego-me a vós, para que por mim apascenteis as vossas ovelhas..
Amém.



quinta-feira, 14 de março de 2013

PAPA FRANCISCO: Papa da Misericórdia


Escolhido pela Misericórdia



"Alegrai-vos sempre no Senhor"


"Orai e vigiai para não caires em tentação"


"Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso"

Com o nome de Francisco, o argentino Jorge Mario Bergoglio é o novo papa da Igreja Católica. O anúncio de 'habemus papam' foi feito às 16h14 (horário de Brasília) desta quarta-feira (13/03).
 
O jesuíta Jorge Mario Bergoglio nasceu em Buenos Aires no dia 17 de dezembro de 1936.
Em 1958, aos 22 anos, após o curso no seminário no bairro Villa Devoto, entrou para a Sociedade de Jesus. Foi ordenado padre pelos jesuítas em 1959, aos 23 anos, enquanto fazia teologia efilosofia na Faculdade de San Miguel.
Dez anos depois, pelas mãos de Dom Ramón José Castellano recebeu a ordenação presbiteral no dia 13 de dezembro. De 1973 a 1979, Bergoglio foi provinciano pela Argentina e a partir de 1980, reitor da faculdade de San Miguel, cargo que ocupou durante seis anos de sua vida.
O argentino, em 1992, foi ordenado bispo pelas mãos de Antonio Quarracino, Dom Mario José Serra e Dom Eduardo Vicente Mirás. Elevado a arcebispo em 1997, passando a comandar a arquidiocese de Buenos Aires.
O novo papa foi criado cardeal no consistório em 2001, presidido por João Paulo II, recebendo o título de cardeal-presbítero de São Roberto Bellarmino.

Jorge Mario Bergoglio também foi membro da Congregação para o Culto Divino e para a Disciplina dos Sacramentos, das Sociedades da Vida Apostólica, do Conselho Pontifício para a Família e da Comissão Pontifícia para a América Latina, e da Congregação para o Clero e da Congregação para os Institutos da Vida Consagrada. 

Francisco já teve indicação para o cargo desde o conclave que elegeu Bento 16 para a sucessão do polonês João Paulo 2º, em 2005. Já em 2010 o então arcebispo de Buenos Aires, defendeu que a adoção de uma criança deveria ser feita por um casal com uma mãe e um pai e não por casais de mesmo sexo.







sexta-feira, 1 de março de 2013

Irmã Francisca Teresa (Leônia Martin)


Nasceu em Alençon (França), a 3 de junho de 1863, e por 16 meses se debateu entre a vida e a morte. Suas irmãs Maria, Paulina, Celina e Teresa (Santa Teresinha do Menino Jesus) entram para o Carmelo... Esta última no dia da sua Profissão Perpétua faz a seguinte oração ao Senhor: “Meu Deus, fazei que seja Vossa Vontade que Leônia se torne Visitandina. E se ela não tem vocação, eu Vos peço que lha deis. Vós não podeis recusar-me isto!”. Dois anos antes de sua morte, ainda lhe escreve : “ ....no céu rezarei por ti, esteja certa de que não te esquecerei”... e a Maria faz esta confidência: “... após a minha morte farei com que Leônia entre na Visitação e lá ela permanecerá”. Leônia entra no Mosteiro da Visitação de Caen em 1899 e em 30 de junho do mesmo ano recebe o hábito e o nome de Irmã Francisca Teresa. A 2 de julho de 1900, faz a sua doação total. A espiritualidade de São Francisco de Sales tinha marcado profundamente a família dos Martin, seja através de Teresa, como também por suas irmãs mais velhas Maria e Paulina, educadas no Pensionato da Visitação de Mans. Uma sua tia Visitandina, que foi confidente e conselheira da família, com espírito salesiano pregou a mansidão, o abandono e a submissão à vontade de Deus. Leônia se reveste de uma humildade serena, muito alegre nos recreios, coloca sua felicidade a serviço, para agradar sua Comunidade. Plena de delicadeza e cuidados para com as pessoas, sorri para tudo e para todos, irradiando paz e equilíbrio. Ela escrevia: “quero ser pequena... esquecer-me... confiar-me...”. Faleceu no dia 17 de junho de 1941. Os fiéis que usufruíram das suas orações e intercessão afirmam: “... ela será a santa do século XXI, a santa dos pequenos, dos excluídos, dos marginalizados”.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

RESPONSÓRIO DE NOSSA SENHORA

 
Se procuras o céu, ó alma,
O Nome de Maria invoca,
Porque a Ela invocando,
Do céu abre-se a porta.
 
Ao Nome de Maria os céus,
Alegram-se, tremem os infernos;
Céu, terra e mares,
Todo o mundo rejubila.
 
As trevas da culpa fogem,
Doenças, dores, feridas,
Caem os grilhões do vencido,
O mar se acalma ao navegante.
 
Ao nome de Maria os céus,
Alegram-se, tremem os infernos;
Céu, terra e mares,
Todo o mundo rejubila.
 
Glória a Maria, filha
Do Pai e Mãe do Unigênito,
Esposa do Espírito Santo,
Pelos séculos do séculos.
 
Ao nome de Maria os céus,
Alegram-se, tremem os infernos;
Céu, terra e mares,
Todo o mundo rejubila.
 
V. Seja bendito o Nome da Virgem Maria
R. Desde agora e pelos séculos.
 
Oremos
Ó Deus todo-poderoso, concedei, nós vos pedimos, que os fiéis alegrando-se com o patrocínio da Santíssima Virgem Maria, por sua materna intercessão, sejam libertados de todos os males na Terra e mereçam chegar às alegrias no céu.
 
Maria, Mãe Apascentadora
Rogai por nós!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

FESTA DA VIRGEM MÃE APASCENTADORA

6º aniversário da invocação: Mater Pasculatrix
 
 
Explicação do Ícone
 
 
Hoje nosso Movimento celebra a festa de sua Santa Mãe e patrona.  A invocação “Apascentadora” é singular e original, pois somente nossa pequena Família invoca a Virgem Santíssima deste modo, por isso temos a missão de torná-la conhecida e amada com esta invocação para que todos quantos se achegarem a Ela experimentem sua bondade, ternura e misericórdia. A invocação é fruto da intuição interior de um de seus filhos no dia 02 de fevereiro de 2008.

Aqui queremos contenplar o Ícone como um elemento de suma importância para a espiritualidade dos Pastoristas; podemos dizer que esta invocação tem o mesmo sentido teologico de mais dois títulos: Divina Pastora e Mãe do Bom Pastor, mas a invocação “Apascentadora” está unida ao ícone e por isso com formas e sentidos diferentes. Vamos fazer uma contemplação da iconografia buscando entender todo o seu conjunto espiritual.

MARIA – A Virgem Maria é a “Mãe” que nós recebemos no momento da oblação do Bom Pastor na Cruz quando ele disse: “Eis aí tua Mãe”(Jo 19.27); em Maria nós contemplamos a maternidade espiritual em nosso favor e por meio dela contemplamos a entrega de Cristo pela humanidade ferida. Maria deve ser para nós Pastoristas acima de tudo como Mãe amorosa, cheia de bondade, ternura e misericórdia; senti-la não de modo distante, mas perto do nosso coração e que vive constantemente atenta a nós com seu doce olhar. No ícone seu rosto é todo bondade, seu olhar é penetrante e ao mesmo tempo expressa uma profunda ternura para com todos nós seus filhos. Segurando o pequeno Bom Pastor e a ovelhinda ela se mostra como “Apascentadora” pelo ato de segurar o próprio Deus e a humanidade. Por acaso uma mulher se esquecerá da sua criancinha de peito? Não se compadecerá ela do filho do seu ventre?(Is 49,15), esta é a imagem que nos é transmitida e que devemos amar. Maria é apascentadora não somente de Jesus em todas as fazes de sua vida como também continua sendo de todos os seus filhos; não é ela uma mãe indiferente, mas sente os anseios e sofrimentos de seus filhos.

JESUS – Mesmo ainda pequeno nos braços da Virgem, Cristo é o Bom Pastor, já contempla a pequena ovelha, por quem dará sua vida: Eu sou o Bom Pastor. O Bom Pastor dá a sua vida pelas suas ovelhas (Jo 10.11). Sua atitude é reflexo da sua terna compaixão pela humanidade: “O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido (Lc 19.10).”. Seu braço segurando a ovelha é a atitude de segurança e de resgate; envolvendo o pescoço de Maria deseja envolver sua Mãe na sua vocação de Apascentador. Jesus abraça sua mãe porque a ama e porque encontra nela ternura e calor e quer que todos os que o seguir também encontrem nesta mãe todo consolo maternal que vem do seu coração de Mãe e Apascentadora.

CRUZ e COROA – Estes elementos que estão nas mãos dos anjos representam a PAIXÃO, fazendo referência à doação da vida do Bom Pastor; foi por este caminho doloroso que Jesus entregou sua vida pelas suas ovelhas, “Ninguém tira a minha vida de mim, mas eu a dou livremente”. (Jo 10,18).; a Cruz e Coroa são o trono e a glória do Filho de Deus que se contrapõe a honra que o mundo busca. O Bom Pastor é o transpassado que nós contemplamos, é aquele que dar sua vida a cada passo da Paixão. O caminho da cruz é a via segura da santidade de um Pastorista, encontrando em cada momento dolorosa uma oportunidade de abraçar a cruz para melhor se conformar ao Bom Pastor. A coroa é o chamado a humidade e não a busca de sucesso nesta vida, a busca de nós mesmos.

OVELHA - A ovelha representa o homem ferido pelo pecado a quem o Bom Pastor veio para resgatar das amarras do lobo, o demônio, “Certamente eu mesmo cuidarei do meu rebanho e dele me ocuparei. Buscarei a ovelha que estiver perdida, reconduzirei a que estiver desgarrada, pensarei a que estiver fraturada e restaurarei a que estiver abatida”. (Ez 34,11. 16). No ícone a ovelha experimenta o amor de Jesus que a contempla com compaixão, que a cura e que lhe oferece a sua infinita misericórdia; a ovelha ao mesmo tempo experimenta a ternura e bondade de Maria porque está junto ao seu coração materno; o homem resgatado não só experimenta o amor de Cristo, mas também o de Maria pela sua mão carinhosa que o sustenta com segurança e doçura. Somos também esta ovelha nos braços de Maria porque nossa relação com a Virgem bondosa é totalmente filial e nela nós nos apegamos e devemos deixar-nos amar por Ela.

Por fim, acolhamos a Virgem Apascentadora como Mãe misericordiosa e a invoquemos cotidianamente experimentando o amor maternal que brota do seu puro coração, amor consolador, confortador, misericordioso, terno e inigualável. Provemos nosso amor por Ela pelo constante e filial dialogo na oração, na renuncia de nós mesmos e na bondade com todos. 
 
 
 
Oração a Virgem Maria, Mãe Apascentadora.

Ó boníssima Virgem Maria, minha Mãe e Apascentadora da minha alma, eu me coloco sob a vossa maternal proteção, como ato de confiança e abandono ao vosso amor.
Consagro-te meu coração, minha vida e minha vocação, pois sendo teu obterei o que anseio, a minha conversão e santificação.Suplico-te que me guieis, protegeis e defendeis dos assaltos do demônio.
Ó Mãe do Bom Pastor, apascenta-me para que eu alcance à páscoa da vida eterna.Amém.

Maria, Mãe Apascentadora.
Rogai por nós.
 



quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

FESTA DE SÃO JOÃO BOSCO, pai e mestre da juventude

 
João Bosco nasceu no Colle dos Becchi, no Piemonte, Itália, uma localidade junto de Castelnuovo de Asti (agora chama-se Castelnuovo Dom Bosco) a 16 de agosto de 1815. Era filho de humilde família de camponeses. Órfão de pai aos dois anos, viveu sua mocidade e fez os primeiros estudos no meio de inumeráveis trabalhos e dificuldades. Desde os mais tenros anos sentiu-se impelido para o apostolado entre os companheiros. Sua mãe, que era analfabeta, mas rica de sabedoria cristã, com a palavra e com o exemplo animava-o no seu desejo de crescer virtuoso aos olhos de Deus e dos homens.
 
Mesmo diante de todas as dificuldades, João Bosco nunca desistiu. Durante um tempo foi obrigado a mendigar para manter os estudos. Prestou toda a espécie de serviços. Foi costureiro, sapateiro, ferreiro, carpinteiro e, ainda nos tempos livres, estudava música.
 
Queria vivamente ser sacerdote. Dizia: "Quando crescer quero ser sacerdote para tomar conta dos meninos. Os meninos são bons; se há meninos maus é porque não há quem cuide deles". A Divina Providência atendeu os seus anseios. Em 1835 entrou para o seminário de Chieri.
 
Ordenado Sacerdote a 5 de junho de 1841, principiou logo a dar provas do seu zelo apostólico, sob a direção de São José Cafasso, seu confessor. No dia 8 de dezembro desse mesmo ano, iniciou o seu apostolado juvenil em Turim, catequizando um humilde rapaz de nome Bartolomeu Garelli. Começava assim a obra dos Oratórios Festivos, destinada, em tempos difíceis, a preservar da ignorância religiosa e da corrupção, especialmente os filhos do povo.
 
Em 1846 estabeleceu-se definitivamente em Valdocco, bairro de Turim, onde fundou o Oratório de São Francisco de Sales. Ao Oratório juntou uma escola profissional, depois um ginásio, um internato etc. Em 1855 deu o nome de Salesianos aos seus colaboradores. Em 1859 fundou com os seus jovens salesianos a Sociedade ou Congregação Salesiana.
 
Com a ajuda de Santa Maria Domingas Mazzarello, fundou em 1872 o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora para a educação da juventude feminina. Em 1875 enviou a primeira turma de seus missionários para a América do Sul.
 
Foi ele quem mandou os salesianos para fundar o Colégio Santa Rosa em Niterói, primeira casa salesiana do Brasil, e o Liceu Coração de Jesus em São Paulo. Criou ainda a Associação dos Cooperadores Salesianos. Prodígio da Providência divina, a Obra de Dom Bosco é toda ela um poema de fé e caridade. Consumido pelo trabalho, fechou o ciclo de sua vida terrena aos 72 anos de idade, a 31 de janeiro de 1888, deixando a Congregação Religiosa Salesiana espalhada por diversos países da Europa e da América.
 
 
Se em vida foi honrado e admirado, muito mais o foi depois da morte. O seu nome de taumaturgo, de renovador do Sistema Preventivo na educação da juventude, de defensor intrépido da Igreja Católica e de apóstolo da Virgem Auxiliadora se espalhou pelo mundo inteiro e ganhou o coração dos povos. Pio XI, que o conheceu e gozou da sua amizade, canonizou-o na Páscoa de 1934.
 
 
 
 
Apesar dos anos que separam os dias de hoje do tempo em que viveu Dom Bosco, seu amor pelos jovens, sua dedicação e sua herança pedagógica vêm sendo transmitidos por homens e mulheres no mundo inteiro.
 
Hoje Dom Bosco se destaca na história como o grande santo Mestre e Pai da Juventude. Embora tenha feito repercutir pelo mundo o seu carisma e o sistema preventivo de salesiano, que é baseado na Razão, na Religião e na Bondade, Dom Bosco permaneceu durante toda a sua vida em Turim, na Itália. Dedicou-se como ninguém pelo bem-estar de muitos jovens, na maioria órfãos, que vinham do campo para a cidade em busca de emprego e acabavam sendo explorados por empregadores interessados em mão-de-obra barata ou na rua passando fome e convivendo com o crime.
 
Com atitudes audaciosas, pontuadas por diversas inovações, Dom Bosco revolucionou no seu tempo o modelo de ser padre, sempre contando com o apoio e a proteção de Nossa Senhora Auxiliadora. Aliás, o sacerdote sempre considerou como essencial na educação dos jovens a devoção à Maria.
 
Dom Bosco ficou muito famoso pelas frases que usava com os meninos do oratório e com os padres e irmãs que o ajudavam. Embora tenham sido criadas no século passado, essas frases, ainda hoje, são atuais e ricas de sabedoria. Elas demonstram o imenso carinho que Dom Bosco tinha pelos jovens.
 
Entre alguns exemplos, "Basta que sejam jovens para que eu vos ame.", "Prometi a Deus que até meu último suspiro seria para os jovens.", "O que somos é presente de Deus; no que nos transformamos é o nosso presente a Ele", "Ganhai o coração dos jovens por meio do amor", "A música dos jovens se escuta com o coração, não com os ouvidos."
 
O método de apostolado de Dom Bosco era o de partilhar em tudo a vida dos jovens; para isto no concreto abriu escolas de alfabetização, artesanato, casas de hospedagem, campos de diversão para os jovens com catequese e orientação profissional; foi por isso a Igreja reza: "Deus suscitou São João Bosco para dar à juventude um mestre e um pai".
 
De estatura atlética, memória incomum, inclinado à música e a arte, Dom Bosco tinha uma linguagem fácil, espírito de liderança e ótimo escritor. Este grande apóstolo da juventude foi elevado para o céu em 31 de janeiro de 1888 na cidade de Turim; a causa foi o outros, já que afirmava ter sido colocado neste mundo para os outros.


sábado, 26 de janeiro de 2013

A EUCARISTIA COMO SACRIFICIO

Dom Henrique Soares
Auxiliar de Aracajú - SE
 
 
Assim diz o Catecismo da Igreja: “Quando a Igreja celebra a Eucaristia, rememora a Páscoa de Cristo, e esta se torna presente: o sacrifício que Cristo ofereceu uma vez por todas na cruz torna-se sempre atual: Todas as vezes que se celebra no altar o sacrifício da cruz, pelo qual Cristo nossa Páscoa foi imolado, efetua-se a obra da nossa redenção. Por ser memorial da páscoa de Cristo, a Eucaristia é também um sacrifício. O caráter sacrifical a Eucaristia é manifestado nas próprias palavras da instituição: ‘Isto é o meu Corpo que será entregue por vós’, e ‘Este cálice é a nova aliança em meu Sangue, que vai ser derramado por vós’ (Lc 22,19s). Na eucaristia, Cristo dá este mesmo corpo que entregou por nós na cruz, o próprio sangue que ‘derramou por muitos para remissão dos pecados’ (Mt 26,28)” (Catecismo da Igreja Católica, 1365). A Celebração Eucarística é, portanto, memorial, isto é, o tornar-se presente, no aqui e no agora da vida da Igreja e da vida de cada um de nós, daquele único e irrepetível sacrifício que Jesus ofereceu na cruz. “O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício: ‘É uma só e mesma vítima, é o mesmo que oferece agora pelo ministério dos sacerdotes, que se ofereceu a si mesmo então na cruz. Apenas a maneira de oferecer difere” (Catecismo, 1367).
Assim, a Eucaristia torna presente, “presentifica”, o único e irrepetível sacrifício do Cristo salvador; sacrifício que o Senhor Jesus deu à sua Igreja para que ela o ofereça até que ele venha em sua Glória. Por isso mesmo, é chamado de sacrifício de louvor, sacrifício espiritual (porque oferecido na força do Espírito Santo), sacrifício puro e santo (porque sacrifício do próprio Cristo Jesus). Este santo sacrifício da Missa leva à plenitude todos os sacrifícios de todas as religiões e, particularmente, aqueles do Antigo Testamento. Podemos até recordar as palavras da profecia de Malaquias, na qual Deus prometia a Israel um sacrifício perfeito ao seu nome: “Sim, do levantar do sol ao seu poente o meu nome será grande entre as nações, e em todo lugar será oferecido ao meu nome um sacrifício de incenso e uma oferenda pura” (1,11). Cristo, com seu sacrifício único e irrepetível, que entregou à sua Igreja para celebrá-lo até que ele venha, ofereceu este sacrifício, cumprindo a profecia.
Mas, quando a Igreja fala em sacrifício de Cristo, ela não pensa simplesmente no que aconteceu no Calvário. Toda a existência humana de Jesus teve um caráter sacrifical. O Autor da Carta aos Hebreus, falando do Cristo o momento de sua Encarnação, afirma: “Ao entrar no mundo, ele afirmou: ‘Tu não quiseste sacrifício e oferenda. Tu, porém, formaste-me um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não foram do teu agrado. Por isso eu digo: Eis-me aqui, - no rolo do livro está escrito a meu respeito – eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade” (Hb 10,5). Jesus viveu a toda sua vida entre nós, desde o primeiro momento, no amor, no abandono, na obediência, como uma oferta sacrifical ao Pai para nossa salvação. Toda esta existência sacrifical e sacerdotal chegou ao máximo no sacrifício da cruz. Ali, naquele acontecimento tremendo, verificou-se a palavra da Escritura: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o extremo” (Jo 13,1). Assim sendo, quando celebramos a Eucaristia, é toda esta vida sacrifical, esta vida doada aos irmãos por amor ao Pai, que se torna presente sobre o altar para a nossa salvação. Mais ainda: como esta entrega, consumou-se com a resposta do Pai ao seu Filho, ressuscitando-o dentre os mortos, a Eucaristia é o próprio mistério pascal: no altar, torna-se misteriosamente presente a existência humana de Jesus inteira: seus dias entre nós, sua paixão, morte, sepultura, sua ressurreição e ascensão e até mesmo a certeza da sua vinda gloriosa: “Celebrando, agora, ó Pai, a memória da nossa redenção, anunciamos a morte de Cristo e sua descida entre os mortos, proclamamos a sua ressurreição e ascensão à vossa direita, e, esperando a sua vinda gloriosa, nós vos oferecemos o seu Corpo e Sangue, sacrifício do vosso agrado e salvação do mundo inteiro” (Oração eucarística IV).
Porque é o sacrifício do próprio Cristo, Filho de Deus feito homem, numa total obediência amorosa ao Pai por nós, a Eucaristia é aquele sacrifício perfeito de que falava a profecia de Malaquias 1,11. É o que afirma a própria liturgia : “Por Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso, e pela força do Espírito Santo, dais vida e santidade a todas as coisas e não cessais de reunir o vosso povo, para que vos ofereça em toda parte, do nascer ao pôr-do-sol, um sacrifício perfeito” (Oração Eucarística III). A Igreja oferece, pois, este santíssimo sacrifício, de eficácia e valor infinitos, pelos vivos e pelos mortos, por crentes e descrentes e até mesmo por toda a criação: “E agora, ó Pai, lembrai-vos de todos pelos quais vos oferecemos este sacrifício: o vosso servo, o Papa, o nosso Bispo, os bispos do mundo inteiro, os presbíteros e todos os ministros, os fiéis que, em torno deste altar, vos oferecem este sacrifício, o povo que vos pertence e todos aqueles que vos procuram de coração sincero” (Oração Eucarística IV). Neste sacrifício perfeito e infinito, a Igreja louva, agradece, suplica, pede perdão, adora e intercede por si e pelo mundo inteiro, tudo isto unida ao próprio Cristo, seu Cabeça e Esposo. Por isso, nenhuma outra celebração se iguala ao sacrifício eucarístico em força, santidade e eficácia.
Celebrar este sacrifício santo nos compromete profundamente, seja pessoalmente seja como Igreja: “O cálice de bênção que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo?” (1Cor 10,16). Segundo estas palavras de São Paulo, participar da Eucaristia é participar da vida sacrifical de Jesus, é estar dispostos a fazer de nossa vida uma participação no seu sacrifício, completando em nossa existência o mistério da cruz do Senhor (cf. Cl 1,24). Em cada Eucaristia, com Jesus, oferecemos ao Pai a nossa própria vida. Eis como nossa participação no sacrifício eucarístico nos compromete profundamente. Não poderia participar desse Altar quem não estar disposto a se oferecer cada dia com Cristo e como Cristo: “Exorto-vos, portanto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais vossos corpos como hóstia viva, santa e agradável a Deus; este é o vosso culto espiritual. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito” (Rm 12,1-2).
 
 
Pode-se perguntar de que modo um acontecimento ocorrido há dois mil anos pode se tornar presente sobre o Altar. É importante compreender o que significa o “memorial”. Não significa simplesmente recordação ou memória. Nas Escrituras, memorial é dito zikaron e significa tornar presente, por gestos, símbolos e palavras, um fato acontecido no passado uma vez por todas. Uma vez ao ano, os judeus celebravam e celebram ainda hoje a Páscoa, memorial da saída do Egito. Nessa celebração, ele não somente recordam a passagem da escravidão para a liberdade, mas tinham e têm a consciência que, participando da celebração, participam realmente da própria libertação que Deus operara. Tanto isso é verdade que, ainda hoje, aquele que preside à celebração, diz assim: “Em toda geração, cada um deve considerar-se como se tivesse pessoalmente saído do Egito, como está escrito: ‘Explicarás então a teu filho: isto é em memória do que o Senhor fez por mim, quando saí do Egito’. Portanto, é nosso dever agradecer, honrar e louvar, glorificar, celebrar, enaltecer, consagrar, exaltar e adorar a quem realizou todos esses milagres por nossos pais e para nós mesmos. Ele nos conduziu da escravidão à liberdade, do sofrimento à alegria, da desolação a dias festivos, da escuridão a uma grande claridade e do cativeiro à redenção”. E, depois, acrescenta: “Bendito sejas tu, Adonai, nosso Deus, rei do universo, que nos redimiste, libertaste nossos pais do Egito, e nos permitiste viver esta noite para participar do Cordeiro, do pão ázimo e das ervas amargas”.Ora, é exatamente isso que a Eucaristia é: memorial da Páscoa do Senhor Jesus. Quando nós a celebramos, torna-se presente no nosso hoje, na nossa vida, na nossa situação, tudo quanto Jesus fez por nós, que alcança seu cume na sua morte e ressurreição. Deste modo, a Páscoa do Senhor está sempre presente e atuante na nossa vida e, através de Jesus e com Jesus, podemos dizer ao Pai como os judeus dizem: “é nosso dever agradecer, honrar e louvar, glorificar, celebrar, enaltecer, consagrar, exaltar e adorar a ti, Adonai, Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo!” Então, em cada missa torna-se presente, atuante, o único sacrifício pascal do Senhor, memorial de sua encarnação, de sua vida humana, de sua paixão, morte e ressurreição, de sua ascensão ao Pai e do dom do Espírito que ele nos fez! Resta apenas recordar que tudo isso acontece na força do Espírito Santo, aquele mesmo Espírito eterno no qual Jesus ofereceu-se ao Pai como vítima sem mancha (cf. Hb 9,14). É este Espírito Santo que, transfigurando o pão e o vinho, torna presente sobre o Altar o Cristo morto e ressuscitado, glorioso, mas trazendo eternamente as chagas da paixão, numa oferta eterna, que jamais passará. Diz a Encíclica sobre a Eucaristia: “A Igreja vive continuamente do sacrifício redentor, e tem acesso a ele não só através duma lembrança cheia de fé, mas também com um contacto atual, porque este sacrifício volta a estar presente, perpetuando-se, sacramentalmente, em cada comunidade que o oferece pela mão do ministro consagrado. Deste modo, a Eucaristia aplica aos homens de hoje a reconciliação obtida de uma vez para sempre por Cristo para humanidade de todos os tempos. Com efeito, o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício. Já o afirmava em palavras expressivas S. João Crisóstomo: ‘Nós oferecemos sempre o mesmo Cordeiro, e não um hoje e amanhã outro, mas sempre o mesmo. Por este motivo, o sacrifício é sempre um só. [...] Também agora estamos a oferecer a mesma vítima que então foi oferecida e que jamais se exaurirá’. A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica. O que se repete é a celebração memorial, a « exposição memorial de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se atualiza incessantemente no tempo. Portanto, a natureza sacrifical do mistério eucarístico não pode ser entendida como algo isolado, independente da cruz ou com uma referência apenas indireta ao sacrifício do Calvário” (Ecclesia de Eucharistia, 12).
Concluamos com as palavras do Santo Padre: “Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, este acontecimento central de salvação torna-se realmente presente e realiza-se também a obra da nossa redenção. Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do gênero humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes. Assim, cada fiel pode tomar parte nela, alimentando-se dos seus frutos inexauríveis. Esta é a fé que as gerações cristãs viveram ao longo dos séculos, e que o magistério da Igreja tem continuamente reafirmado com jubilosa gratidão por dom tão inestimável. É esta verdade que desejo recordar mais uma vez, colocando-me convosco, meus queridos irmãos e irmãs, em adoração diante deste Mistério: mistério grande, mistério de misericórdia. Que mais poderia Jesus ter feito por nós? Verdadeiramente, na Eucaristia demonstra-nos um amor levado até ao “extremo” (cf. Jo 13,1), um amor sem medida” (Ecclesia de Eucharistia, 11).