quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Catequese de Bento XVI sobre São Francisco de Sales
Vencendo as resistências do pai, Francisco seguiu o chamado do Senhor e, aos 18 de dezembro de 1593, foi ordenado sacerdote. Em 1602, torna-se Bispo de Genebra, em um período em que a cidade era fortaleza do Calvinismo, tanto que a sede episcopal encontrava-se "exilada" em Annecy. Pastor de uma diocese pobre e atormentada, em uma paisagem montanhosa da qual conhecia bem tanto a dureza quanto a beleza, ele escreve: "[Deus] o encontrei cheio de doçura e suavidade entre as nossas mais altas e ásperas montanhas, onde muitas almas simples o amavam e adoravam em toda a verdade e sinceridade; e veados e camurças corriam de lá para cá entre os gelos assustados para anunciar os seus louvores" (Lettera alla Madre di Chantal, outubro de 1606, em Oeuvres, éd. Mackey, t. XIII, p. 223). E, todavia, o influxo da sua vida e do seu ensinamento sobre a Europa da época e dos séculos sucessivos parece imenso. É apóstolo, pregador, escritor, homem de ação e de oração; comprometido em realizar os ideais do Concílio de Trento; envolvido na controvérsia e no diálogo com os protestantes, experimentando sempre mais, para além do necessário confronto teológico, a eficácia da relação pessoal e da caridade; encarregado de missões diplomáticas em nível europeu, e de tarefas sociais de mediação e reconciliação. Mas, sobretudo, São Francisco de Sales é guia das almas: do encontro com uma jovem mulher, a senhora de Charmoisy, buscará inspiração para escrever um dos livros mais lidos na idade moderna, a Introdução à vida devota; da sua profunda comunhão espiritual com uma personaliza excepcional, Santa Giovanna Francesca di Chantal, nascerá uma nova família religiosa, a Ordem da Visitação, caracterizada – como desejou o santo – por uma consagração total a Deus vivida na simplicidade e humildade, no fazer extraordinariamente bem as coisas extraordinárias: "... desejo que as minhas Filhas – ele escreve – não tenham outro ideal senão aquele de glorificar [Nosso Senhor] com a sua humildade" (Lettera a mons. de Marquemond, junho de 1615). Morreu em 1622, aos 55 anos, após uma existência assinalada pela dureza dos tempos e pela fadiga apostólica.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
FÉRIAS COM SÃO FRANCISCO DE SALES
Meditemos e deixemos ressoar em nosso coração as palavras de São Francisco de Sales, escutando-o como um pai que fala a seu filho. Deixemo-nos guiar por seu ensinamento, pois está cheio do amor de Deus e de sua experiência pessoal. São Francisco de Sales, nosso patrono estará do nosso lado nestas férias através de seus santos conselhos.
1. É preciso suportar amorosamente as adversidades, visto que procedem da mesma mão do Senhor, igualmente amável quando distribui as aflições como quando dá as consolações.
2. A afabilidade e a doçura comunicam sua graça às conversas sérias. Sabendo conceder oportunamente, tratamos o próximo como devemos tratá-lo: com agrado, com obras e palavras.
3. A afabilidade, o amor e a humildade tem uma força maravilhosa para ganhar os corações dos homens e levá-los a abraçar as coisas desagradáveis à natureza humana.
4. A ansiedade que sentimos de ver se progredimos na perfeição não é agradável a Deus e não serve senão para satisfazer nosso amor próprio.
5. A desconfiança que vós tendes de vós mesmo é boa, porque é o fundamento da confiança em Deus.
6. A doçura e a bondade são a flor da caridade, que chega a perfeição quando é paciente, doce e boa.
7. A fé é um dom de Deus que Ele infunde na alma humilde, e que não habita na alma cheia de orgulho.
8. A humildade que se opõe a caridade não pode ser nem sólida nem verdadeira.
9. A liberdade de espírito consiste na prontidão para fazer a vontade de Deus, seja esta qual for.
10. A medida da Providência de Deus é a nossa confiança nele.
11. A misericórdia é um afeto que nos faz participar da paixão e dor daquele a quem amamos, atraindo ao nosso coração a miséria que ele sofre.
12. A melhor oração é olhar com frequência para a Cruz e oferecer-lhe nossas penas e sofrimentos unidos ao dela.
13. A paciência é tanto mais perfeita quanto menos mescla se veja de ansiedades e inquietudes.
14. A paz é fruto do filial abandono ao nosso Pai dos céus.
15. A perfeição não consiste na ausência de tentações. Os santos, como nós, foram tentados, e alguns mais fortemente do que nós.
16. A vida espiritual é suave, aprazível e alegre.
17. Aconteça o que acontecer, não desanime; segure-se firmemente em Deus, mantenha-se em paz, com confiança no seu amor eterno por você. Sejamos bem firmes na confiança que devemos ter na providência de Deus, a qual vos prepara cruzes, vos dará ombros para carregá-las.
18. Ademais, não devemos pôr nossas esperanças nos homens, que são mortais, mas só em Deus, que vive eternamente.
19. Alimentai vossa alma com um espírito de confiança cordial em Deus, e segundo a medida de nossas imperfeições e misérias, cobrai animo e esperai firmemente.
20. Amai muito a Deus e, por amor de Deus todas as criaturas, principalmente aquelas que os desprezam.
21. Anime-se e transforme os problemas em matéria para seu progresso e maturidade.
22. Ao apresentar-se a ocasião de fazer uma boa obra pensai pouco, falai pouco e fazei muito.
23. As aflições desta vida são as flores que preludiam os frutos da glória.
24. As grandes oportunidades de servir a Deus são raras, pequenas sempre existem.
25. As mortificações que nos vem de Deus ou dos homens, por permissão divina, são sempre mais preciosas do que aquelas que são filhas da nossa vontade.
26. As repreensões, embora sejam em si desagradáveis, contudo quando feitas com amor e bondade, soa bem aceitas e produzem mais proveito.
27. Bom é mortificar a carne; porém vale muito mais purificar o coração de seus afetos desordenados.
28. Confia em Deus e sossega com segurança.
29. Deixar a oração para atender o próximo é um ato de caridade, é deixar Deus por Deus.
30. Desejar o martírio e ao mesmo tempo descuidar das obrigações do próprio estado é uma pura ilusão.
31. Deus é o Deus da alegria. A alegria é, portanto, atitude da verdadeira oração.
CONTEMPLARI AD PASCENDUM
quarta-feira, 6 de junho de 2012
O CORACAO DE JESUS
São Joao Eudes
"Três corações que são um só coração".
Em Cristo, nosso Salvador,
adoramos três corações, que, pelaestreita união que os liga entre si, fazem um
só coração. O primeiro é o Coração divino - Amor incriado - que é o próprio
Deus.
É o Amor que desde toda a
eternidade O abrasa no seio adoráveldo Pai, do qual, sendo um com o amor do
Pai, procede o EspíritoSanto. O segundo é o seu coração espiritual, isto é, a
parte superiorda sua alma santíssima, em que o Espírito Santo vive e reinaduma
maneira inefável, e que encerra os tesouros infinitos daciência e da sabedoria
de Deus; é também a sua vontade humana,faculdade espiritual do amor, que Ele
imolou a Vontade do Pai na realização da sua obra redentora. O terceiro, é o coração
de carnehipostaticamente unido a Pessoa do Verbo, Coração Santíssimoformado
pelo Espírito Santo do sangue virginal de Maria Mae doAmor, que no alto da cruz
foi transpassado pelo golpe da lança.
Este amabilíssimo Coração de
Jesus é uma fornalha de amor.Ama o Seu divino Pai com um amor eterno, imenso,
infinito. AmaSua Mae com um amor sem medida e sem limites, como o
provammanifestamente as graças inconcebíveis com que A cumulou.Ama a Igreja
triunfante, padecente e militante, como o mostramos sacramentos - em especial a
Eucaristia, síntese de todas asmaravilhas da misericórdia de Deus - fontes
inesgotáveis de graça e santidade, que brotam do oceano imenso do Coração do
nossoSalvador. Ama-nos, enfim, a todos e cada um de nós como Seu PaiO ama a
Ele. Por isso, tudo fez e tudo sofreu para libertar-nos doabismo de males em
que o pecado nos submergira, e para fazer denós filhos de Deus, membros de Cristo,
herdeiros do Pai, co-erdeiros do Filho, possuidores do mesmo Reino que o Pai
deu a SeuF ilho Jesus Cristo.
Diante deste Coração Santíssimo o
nosso dever é adorá-Lo,louvá-Lo, bendize-Lo, glorificá-Lo, agradecer-Lhe,
pedir-Lheperdão de tudo o que sofreu pelos nossos pecados, oferecer-Lhe em
reparação todas as alegrias que Lhe dão os que O amam, e todosos nossos
sofrimentos aceites por seu amor, enfim amá-Lo ardentemente.Devemos também
aproveitar-nos deste Coração porque Eleé nosso. O Eterno Pai, o Espirito Santo,
Maria e o próprio Jesus no-lo deram para ser nosso refúgio em todas as
necessidades, nossooráculo nas dúvidas e dificuldades, e para ser o nosso
tesouro.Deram-no-Io, enfim, não só para ser modelo e regra da nossa vida,mas
para ser Ele mesmo o nosso próprio coração, a fim de por tãogrande Coração
podermos dar a Deus e ao próximo tudo quantoIhes devemos.
terça-feira, 29 de maio de 2012
A VISITAÇÃO DA VIRGEM MARIA
Sermão
de São Francisco de Sales para a festa da Visitação, 1618.
Dirigido as Monjas
Visitandinas.
Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade de Judá. Entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, quando Isabel ouviu a saudação de Maria a criança lhe estremeceu no ventre e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto de teu ventre”! Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite? Pois quando tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria em meu ventre. Feliz aquela que creu, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido. (lc 1.39-45)
Nossa
amável e insuficientemente amada Senhora e mestra, a gloriosa Virgem, enquanto
deu seu consentimento as palavras do arcanjo São Gabriel, o mistério da
Encarnação se realizou nela. E sabendo pelo mesmo São Gabriel que sua prima
Isabel havia concebido um filho em sua velhice, quis ir vê-la desejando servi-la e ajuda-la, porque sabia que isto era da
vontade de Deus; com prontidão saiu de Nazaré, pequena cidade da Galileia para
ir a Judeia a casa de Zacarias. Empreendeu a viagem longa e difícil subindo a
montanha da Judeia, um caminho muito pesado para esta terna e delicada Virgem.
O
que impulsionou particularmente a nossa gloriosa Mestra a fazer esta visita foi
sua ardente caridadee sua profunda humildade;
sim, minhas queridas Irmãs, estas duas virtudes a fizeram deixar Nazaré,
por que a caridade não é ociosa, senão
que arde nos corações em que habita e reina, a Santíssima Virgem estava
plena dela, pois que levava o Amor mesmo em suas entranhas. Ela tinha contínuos
atos de amor, não somente com Deus com o qual estava unida pela mais perfeita
dileção, senão que tinha o amor do próximo em grande perfeição, que a fazia
desejar ardentemente a salvação das almas.
Nossa
Senhora se alegra com sua prima; elas são impulsionadas a glorificar a Deus que
havia derramado tantas graças: sobre ela, que era virgem, fazendo-a conceber o
Filho de Deus por obra do Espírito Santo, e sobre Santa Isabel que era estéril,
concebendo milagrosamente e por graça especial a aquele que devia ser o
precursor do Messias.
Com
a caridade, a Santíssima Virgem havia recebido
uma profunda humildade, como a manifesta a que
responde ao louvor de Isabel: “Porque
Deus olhou para a humildade de sua serva, doravante as gerações me chamarão
bem-aventurada” (Lc 1.48).
Ao
dizer humilde ela não se referia a virtude da humildade senão a própria
condição que via em si mesma, ao que era por natureza e do nada que havia
saído. Nosso Senhor deu testemunho da humildade de sua mãe, quando a louvando
chama “mulher”, Ele manifesta que é feliz porque o tem levado em seu ventre,
porém, pela humildade com que ela diz “sim” a vontade do Pai celestial e a ter
cumprido.
O
evangelista disse que a Virgem se levantou apressada para mostrar sua prontidão com a que se devem seguir as inspirações
divinas; porque é próprio do Espírito Santo, quando toca um coração,
inquietá-lo; Ele ama a diligência e a prontidão; é inimigo de prazos e atrasos na execução
do que é a vontade de Deus.
Minhas
queridas Irmãs, como devem estar cheias de alegria quando são visitadas por
este Divino Salvador no Santíssimo Sacramento do altar, e pelas graças
interiores que diariamente recebem de sua Divina Majestade, por tantas
inspirações e palavras que Ele fala a seus corações; porque Ele está sempre
indicando o que quer que façam por seu amor.
Quantas
ações de graças devem dar ao senhor por tantos favores! Como devem escutá-lo
com grande atenção e realizar fiel e prontamente suas divinas vontades!
A
Santíssima Virgem escutando os louvores de sua prima Isabel se humilhava e por
tudo glorificava a Deus, confessando que toda a sua felicidade procedia de que
Ele havia olhado a humildade de sua serva e entoa o formoso e admirável canto
do “Magnificat”, que supera todos cantados por outras mulheres que a Sagrada
Escritura menciona.
Oh
minhas queridas Irmãs, quem tem esta Virgem por Mãe, Filhas da Visitação de
Nossa Senhora a Santa Isabel, devem ter um grande cuidado em imitá-la,
sobretudo na sua humildade e caridade, que são as principais virtudes que a
motivaram fazer esta visita; portanto devem ter uma grande diligência e alegria para visitar suas
Irmãs enfermas, aliviando-as e servindo-as cordialmente em suas enfermidades,
espirituais e corporais; e para tudo o que se refere a praticar a humildade e a caridade
deve por especial cuidado e prontidão; porque para ser Filha de Nossa Senhora
não basta estar nas casas da Visitação e levar o véu de Religiosa. Seria
cometer uma ofensa a esta Mãe, contentando-se com isto.
É
necessário imitá-la em sua santidade e virtudes; portanto, minhas queridas
Irmãs, sejam cuidadosas em conformar suas vidas com a dela; sejam doces, humildes, caridosas e
bondosas; com ela glorifiquem o Senhor nesta vida. Que se o fazem fiel e
humildemente neste mundo, indubitavelmente que no céu cantarão com Ela,
“Magnificat”; e bendizendo com este cântico a Divina Majestade, serão
abençoadas por Ela durante toda a eternidade, conduzindo-nos a Santíssima
Trindade.
domingo, 27 de maio de 2012
O ÍCONE DA MÃE
Neste Formativo queremos considerar a
importancia da Virgem Maria em nossa espiritualidade e da importância de seu
Ícone como expressão de bondade para nós, seus filhos e ovelhas do seu rebanho.
A invocação “Apascentadora” é singular e original, pois somente nossa pequena
Família invoca a Virgem Santíssima deste modo, por isso temos a missão de
torná-la conhecida e amada com esta invocação para que todos quantos se
achegarem a Ela experimentem sua bondade, ternura e misericórdia. A invocação é
fruto da intuição interior de um de seus filhos no dia 02 de fevereiro de 2008.
Aqui queremos contenplar o Ícone como um
elemento de suma importância para a espiritualidade dos Pastoristas; podemos
dizer que esta invocação tem o mesmo sentido teologico de mais dois títulos:
Divina Pastora e Mãe do Bom Pastor, mas a invocação “Apascentadora” está unida
ao ícone e por isso com formas e sentidos diferentes. Vamos fazer uma
contemplação da iconografia buscando entender todo o seu conjunto espiritual.
MARIA – A Virgem Maria é a “Mãe” que nós recebemos no momento da oblação do Bom
Pastor na Cruz quando ele disse: “Eis aí tua Mãe”(Jo 19.27); em Maria nós
contemplamos a maternidade espiritual em nosso favor e por meio dela
contemplamos a entrega de Cristo pela humanidade ferida. Maria deve ser para
nós Pastoristas acima de tudo como Mãe amorosa, cheia de bondade, ternura e
misericórdia; senti-la não de modo distante, mas perto do nosso coração e que
vive constantemente atenta a nós com seu doce olhar. No ícone seu rosto é todo
bondade, seu olhar é penetrante e ao mesmo tempo expressa uma profunda ternura
para com todos nós seus filhos. Segurando o pequeno Bom Pastor e a ovelhinda
ela se mostra como “Apascentadora” pelo ato de segurar o próprio Deus e a
humanidade. Por acaso uma mulher se esquecerá da
sua criancinha de peito? Não se compadecerá ela do filho do seu ventre?(Is 49,15), esta é a imagem que nos
é transmitida e que devemos amar. Maria é apascentadora não somente de Jesus em
todas as fazes de sua vida como também continua sendo de todos os seus filhos;
não é ela uma mãe indiferente, mas sente os anseios e sofrimentos de seus
filhos.
JESUS – Mesmo ainda pequeno nos braços da Virgem, Cristo é o Bom Pastor, já
contempla a pequena ovelha, por quem dará sua vida: Eu sou o Bom Pastor. O Bom Pastor dá a sua vida pelas suas ovelhas (Jo 10.11). Sua atitude é reflexo da
sua terna compaixão pela humanidade: “O Filho do Homem veio procurar
e salvar o que estava perdido (Lc 19.10).”. Seu braço segurando a ovelha é a atitude de
segurança e de resgate; envolvendo o pescoço de Maria deseja envolver sua Mãe
na sua vocação de Apascentador. Jesus abraça sua mãe porque a ama e porque
encontra nela ternura e calor e quer que todos os que o seguir também encontrem
nesta mãe todo consolo maternal que vem do seu coração de Mãe e Apascentadora.
CRUZ e COROA – Estes elementos que
estão nas mãos dos anjos representam a PAIXÃO, fazendo referência à doação da
vida do Bom Pastor; foi por este caminho doloroso que Jesus entregou sua vida
pelas suas ovelhas, “Ninguém tira a minha vida de mim, mas eu a dou
livremente”. (Jo
10,18).; a Cruz e Coroa
são o trono e a glória do Filho de Deus que se contrapõe a honra que o mundo
busca. O Bom Pastor é o transpassado que nós contemplamos, é aquele que dar sua
vida a cada passo da Paixão. O caminho da cruz é a via segura da santidade de
um Pastorista, encontrando em cada momento dolorosa uma oportunidade de abraçar
a cruz para melhor se conformar ao Bom Pastor. A coroa é o chamado a humidade e
não a busca de sucesso nesta vida, a busca de nós mesmos.
OVELHA - A ovelha representa o homem
ferido pelo pecado a quem o Bom Pastor veio para resgatar das amarras do lobo,
o demônio, “Certamente eu mesmo cuidarei
do meu rebanho e dele me ocuparei. Buscarei a ovelha que estiver perdida,
reconduzirei a que estiver desgarrada, pensarei a que estiver fraturada e
restaurarei a que estiver abatida”. (Ez 34,11. 16). No ícone a ovelha
experimenta o amor de Jesus que a contempla com compaixão, que a cura e que lhe
oferece a sua infinita misericórdia; a ovelha ao mesmo tempo experimenta a
ternura e bondade de Maria porque está junto ao seu coração materno; o homem
resgatado não só experimenta o amor de Cristo, mas também o de Maria pela sua
mão carinhosa que o sustenta com segurança e doçura. Somos também esta ovelha
nos braços de Maria porque nossa relação com a Virgem bondosa é totalmente
filial e nela nós nos apegamos e devemos deixar-nos amar por Ela.
Por fim, acolhamos a Virgem
Apascentadora como Mãe misericordiosa e a invoquemos cotidianamente
experimentando o amor maternal que brota do seu puro coração, amor consolador,
confortador, misericordioso, terno e inigualável. Provemos nosso amor por Ela
pelo constante e filial dialogo na oração, na renuncia de nós mesmos e na
bondade com todos.
CONTEMPLARI ad PASCENDUM
quinta-feira, 19 de abril de 2012
A FELICIDADE É FRUTO DO AMOR
Eveson Vasconcelos
Seminário Maria Mater Ecclesiae do Brasil
Diocese de Guarabira - PB
A discussão sobre a felicidade vem se estendendo ao longo da história, pois é natural que o homem busque o melhor para si, mas tomemos cuidado se pensarmos que somos independentes e não precisamos uns dos outros. A auto-suficiência nos torna pessoas amargas e insuportáveis. Vivemos numa cultura em que ter e ser são idênticos, trata-se de uma situação bastante paradoxal, pois se o seu ser se reduz ao que você possui , isto significa dizer que quando você deixar de ter, você deixará de existir. A felicidade neste caso está naquilo que você possui e não naquilo que você é.
Será lícito de nossa parte depositar a nossa felicidade em bens que são contingentes e efêmeros?
Mas em que consiste a verdadeira felicidade?
De fato, reduzir a felicidade ao prazer desenfreado é imprudente de nossa parte, porque a verdadeira felicidade, consiste num primeiro momento no amor próprio, um amor livre, que não é egoísta e que está aberto ao outro, pois é necessário que primeiramente nos amemos para que assim possamos amar ao próximo. Aquele que não ama não é capaz de ser feliz!
A máxima de nossa felicidade está em Deus, pois é N’Ele que devemos direcionar todo o nosso amor.
É nos amando, que seremos capazes de amar a Deus e conseqüentemente seremos também capazes de amar o outro. Pois é no amor que somos verdadeiramente felizes.
O próprio Cristo sofreu por nós, por amor a nós, e ressuscitou para que anunciássemos as maravilhas de Deus, que nos salvou da condenação eterna, a fim de que gozemos das eternas alegrias.
sábado, 14 de abril de 2012
FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA
A Divina Misericórdia é uma devoção religiosa católica de origem polonesa, e cuja divulgação se deve a Santa Faustina Kowalska, que é considerada uma das grandes místicas da Igreja Católica. Em seu Diário , a religiosa relatou ter recebido instruções de Jesus, através de aparições, para que desse a conhecer ao Mundo a sua Misericórdia. A imagem de Jesus Misericordioso e seu modelo foi mostrado em visão que irmã Faustina teve dia 22 de Fevereiro de 1931 na cela do convento.
A imagem representa Jesus Ressuscitado que trás aos homens a paz pela remissão dos pecados, pelo preço de sua Paixão e Morte na Cruz. Os raios do Sangue e Água que brotam do coração (invisível na imagem) trespassado por uma lança, e as cicatrizes das chagas da crucifixão relembram os acontecimentos da Sexta-Feira Santa. A imagem de Jesus Misericordioso une, então, estes dois acontecimentos evangélicos que mais plenamente falam sobre o amor de Deus para com o homem.
Os dois raios da imagem, Nosso Senhor revelou seu significado: o raio pálido significa a Água que justifica as almas; o raio vermelho significa o Sangue que é a vida das almas. Essa imagem não só representa a Misericórdia Divina, mas constitui também um sinal para relembrar o dever cristão da confiança em Deus e de um ativo amor para com o próximo.
A festa da Misericórdia
Ocupa um lugar privilegiado entre todas as formas da devoção à Misericórdia Divina reveladas à Irmã Faustina. Pela primeira vez Nosso Senhor falou sobre a instituição dessa Festa em 1931, em Plock, quando exprimiu a sua vontade de que fosse pintada a imagem: “Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia. Quero que essa imagem, que pintarás com o pincel, seja benta solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia.” (D.49).
O Papa João Paulo II, em Maio de 2000, instituiu a Festa da Divina Misericórdia para toda a Igreja, decretando que a partir de então o segundo Domingo da Páscoa se passasse a chamar Domingo da Divina Misericórdia.
Jesus prometeu: "Neste dia, estão abertas as entranhas da minha Misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha Misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das penas e culpas. Neste dia, estão abertas todas as comportas divinas pelas quais fluem as graças. Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de mim".
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