domingo, 14 de outubro de 2012

FESTA DE SANTA TERESA DE ÁVILA, nossa mestra espiritual

SÓ DEUS BASTA!




Teresa de Cepeda e Ahumada nasceu na província de ÁvilaEspanha, numa família da baixa nobreza. Seus pais chamavam-se Alonso Sánchez de Cepeda e Beatriz Dávila e Ahumada. Teresa refere-se a eles com muito carinho. Alonso teve três filhos de seu primeiro casamento. Beatriz deu-lhe outros nove.
Aos sete anos, gostava muito de ler histórias dos santos. Seu irmão Rodrigo tinha quase a sua idade, por isto costumavam brincar juntos. As duas crianças viviam pensando na eternidade, admiravam a coragem dos santos na conquista da glória eterna. Achavam que os mártires tinham alcançado a glória muito facilmente e decidiram partir para o país dos mouros com a esperança de morrer pela fé. Assim sendo, fugiram de casa, pedindo a Deus que lhes permitisse dar a vida por Cristo. EmAdaja encontraram um dos tios que os devolveu aos braços da aflita mãe. Quando esta os repreendeu, Rodrigo colocou toda a culpa na irmã. Com o fracasso de seus planos, Teresa e Rodrigo decidiram viver como ermitães na própria casa e construíram uma cela no jardim, sem nunca conseguir terminá-la. Desde então, Teresa amava a solidão.

Juventude
A mãe de Teresa faleceu quando esta tinha quatorze anos: "Quando me dei conta da perda que sofrera, comecei a entristecer-me. Então me dirigi a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei com muitas lágrimas que me tomasse como sua filha". Quando completou quinze anos, o pai levou-a a estudar no Convento das Agostinianas de Ávila, para onde iam as jovens de sua classe social.
Um ano e meio mais tarde, Teresa adoeceu e seu pai a levou para casa. A jovem começou a pensar seriamente na vida religiosa que a atraía por um lado e a repugnava por outro. O que a ajudou na decisão foi a leitura das "Cartas" de São Jerônimo, cujo fervoroso realismo encontrou eco na alma de Teresa. A jovem comunica ao pai que desejava tornar-se religiosa, mas este pediu-lhe para esperar que ele morresse para ingressar no convento. No entanto, em uma madrugada, com 20 anos, a santa fugiu para o Convento Carmelita de Encarnación, em Ávila, com a intenção de não voltar para casa.

Vida religiosa
Teresa ficou no Convento da Encarnação. Tinha 20 anos. Seu pai, ao vê-la tão decidida, deixou de opor-se à sua vocação. Um ano depois fez a profissão dos votos. Pouco depois, piorou de uma enfermidade que começara a molestá-la antes de professar. Seu pai a retirou do convento. A irmã Joana Suárez acompanhou Teresa para ajudá-la. Os médicos, apesar de todos os tratamentos, deram-se por vencidos e a enfermidade, provavelmente impaludismo (malária), se agravou. Teresa conseguiu suportar aquele sofrimento, graças a um livrinho que lhe fora dado de presente por seu tio Pedro: "O terceiro alfabeto espiritual", do Padre Francisco de Osuna. Teresa seguiu as instruções da pequena obra e começou a praticar a oração mental. Finalmente, após três anos, ela recuperou a saúde e retornou ao Carmelo.
Sua prudência, amabilidade e caridade conquistavam a todos. Segundo o costume dos conventos espanhóis da época, as religiosas podiam receber todos os visitantes que desejassem, a qualquer hora. Teresa passava grande parte de seu tempo conversando no locutório. Isto a levou a descuidar-se da oração mental. Vivia desculpando-se dizendo que suas enfermidades a impediam de meditar.
Pouco depois da morte de seu pai, o confessor de Teresa fê-la ver o perigo em que se achava sua alma e aconselhou-a a voltar à prática da oração. Desde então, a santa jamais a abandonou. No entanto, ainda não se decidira a entregar-se totalmente a Deus nem a renunciar totalmente às horas que passava no locutório trocando conversas e presentes com os visitantes. Curioso notar que, em todos estes anos de indecisão no serviço de Deus, Santa Teresa jamais se cansava de prestar atenção aos sermões, "por piores que fossem".
Cada vez mais convencida de sua indignidade, Teresa invocava com freqüência os grandes santos penitentes, Santo Agostinho eSanta Maria Madalena, aos quais estão associados dois fatos que foram decisivos na vida da santa. O primeiro foi a leitura das "Confissões" de Santo Agostinho. O segundo foi um chamamento à penitência que ela experimentou diante de um quadro da Paixão do Senhor: "Senti que Santa Maria Madalena vinha em meu socorro... e desde então muito progredi na vida espiritual". Sentia-se muito atraída pelas imagens de Cristo ensangüentado em agonia. Certa ocasião, ao deter-se sob um crucifixo muito ensanguentado, perguntou: "Senhor, quem vos colocou aí?" Pareceu-lhe ouvir uma voz: "Foram tuas conversas no parlatório que me puseram aqui, Teresa". Ela chorou muito e a partir de então não voltou a perder tempo com conversas inúteis e nas amizades que não a levavam à santidade.
As Carmelitas, como a maioria das religiosas, desde os princípios do século XVI, já haviam perdido o primeiro fervor. Já vimos que os locutórios dos conventos de Ávila eram uma espécie de centro de reunião para damas e cavalheiros de toda a cidade. As religiosas saíam da clausura pelo menor pretexto. Os conventos eram lugares ideais para quem desejava uma vida fácil e sem problemas. As comunidades eram muito numerosas. O Convento da Encarnação possuía quase 200 religiosas.
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Só o amor dá valor a todas as coisas. E o mais necessário é que seja grande o bastante para que nenhuma coisa o estorve.

Reformadora e fundadora
Já que esta situação era aceite como normal, as religiosas não se davam conta de que o seu modo de vida estava muito distante do espírito de seus fundadores. Assim, quando uma sobrinha de Santa Teresa, também religiosa no Convento da Encarnação, lhe deu a ideia de fundar uma comunidade reduzida, a santa, que já estava há 25 anos naquele convento, resolveu colocar em prática o plano.
São Pedro de AlcântaraSão Luís Beltrán e o bispo de Ávila aprovaram o projeto. O provincial dos Carmelitas, Pe. Gregório Fernández, autorizou Teresa a colocar seu plano em prática. Contudo, a execução do projeto causou muitos comentários e o provincial retirou a permissão. Santa Teresa foi criticada pelos nobres, pelos magistrados, pelo povo e até por suas próprias irmãs. Apesar disso tudo, o dominicano Pe. Ibañez incentivou Teresa a prosseguir seu projeto.
São Pedro de Alcântara, Dom Francisco de Salcedo e o Pe. Gaspar Daza conseguiram que o bispo tomasse a causa da fundação do novo convento para si. Eis que chega de Roma a autorização para se criar a nova casa religiosa, o que ocorreu no dia de São Bartolomeu, em 1562. Durante a missa receberam o véu a sobrinha da santa e outras três noviças.
A inauguração causou grande rebuliço em Ávila. Nesta mesma tarde, a superiora do Convento da Encarnação mandou chamar Teresa e a santa a procurou com certo temor, pensando que iam encarcerá-la. Teve que explicar sua conduta à superiora e ao Pe. Angel de Salazar, provincial da Ordem. A Santa reconhece que não faltava razão a seus superiores por estarem desgostosos. Mesmo assim, o Pe. Salazar lhe prometeu que ela poderia retornar ao Convento de São José logo que se acalmassem os ânimos da população.
A fundação não era bem vista em Ávila, porque as pessoas desconfiavam das novidades e temiam que um convento sem recursos se transformasse em um peso para a cidade. O prefeito e os magistrados teriam mandado demolir o convento, se não tivessem sido dissuadidos pelo dominicano Bañez. Santa Teresa não perdeu a paz em meio às perseguições e prosseguiu colocando a obra nas mãos de Deus.
Francisco de Salcedo e outros partidários da fundação enviaram à corte um sacerdote que defendesse a causa diante do rei. Os doisdominicanos Báñez e Ibáñez acalmaram o bispo e o provincial. Pouco a pouco a tempestade foi-se acalmando. Quatro meses depois, o Pe. Salazar permitiu que Santa Teresa e suas quatro religiosas retornassem ao Convento de São José.
Teresa estabeleceu em seu convento a mais estrita clausura e o silêncio quase perpétuo. A comunidade vivia na maior pobreza. As religiosas vestiam hábitos toscos, usavam sandálias em vez de sapatos (por isso foram chamadas "descalças") e eram obrigadas a abstinência perpétua de carne. A fundadora, a princípio, não aceitou comunidades com mais de treze religiosas. Mais tarde, nos conventos que possuiam alguma renda, aceitou que residissem vinte monjas.
A grande mística Teresa não descuidava das coisas práticas. Sabia utilizar as coisas materiais para o serviço de Deus. Certa ocasião disse: "Teresa sem a graça de Deus é uma pobre mulher; com a graça de Deus, uma fortaleza; com a graça de Deus e muito dinheiro, uma potência".
Encontrou certo dia em Medina del Campo dois frades carmelitas que estavam dispostos a abraçar a Reforma: Antonio de Jesús de Heredia, superior, e Juan de Yepes, que seria o futuro São João da Cruz.
Aproveitando a primeira oportunidade, ela fundou um conventinho de frades em Duruelo em 1568. Em 1569 fundou o de Pastrana. Em ambos reinava a maior pobreza e austeridade. Santa Teresa deixou o resto das fundações de conventos de frades a cargo de São João da Cruz. Depois de muitas lutas, incompreensões e perseguições, obteve de Roma uma ordem que eximia os Carmelitas Descalços da jurisdição do Provincial dos Calçados.
Em 1580, quando estabeleceu-se a separação entre os dois ramos da Ordem do Carmo, Santa Teresa de Ávila tinha 65 anos e sua saúde estava muito debilitada. Nos últimos anos de sua vida fundou outros dois conventos. As fundações da Santa não eram simplesmente um refúgio das almas contemplativas, mas também uma espécie de reparação pelos destroços causados nos mosteiros pelo protestantismo, principalmente na Inglaterra e na Alemanha.

A morte
Na fundação do convento de Burgos, que foi a última, as dificuldades não diminuiram. Em julho de 1582, quando o convento já ia com suas obras adiantadas, Santa Teresa tinha intenção de retornar a Ávila, mas viu-se forçada a mudar seus planos para ir a Alba de Tormes visitar a duquesa Maria Henríquez. A Beata Ana de São Bartolomeu afirmou que a viagem não estava bem programada e que a Santa estava tão fraca que desmaiou no caminho. Certa noite só puderam comer alguns figos. Chegando a Alba, Teresa teve que deitar-se imediatamente. Três dias depois, disse à Beata Ana de São Bartolomeu: "Finalmente, minha filha, chegou a hora de minha morte". O Pe. Antonio de Heredia ministrou-lhe os últimos sacramentos. Quando o mesmo padre levou-lhe o viático, a Santa conseguiu erguer-se do leito e exclamou: "Oh, Senhor, por fim chegou a hora de nos vermos face a face!" Ela morreu às 9 horas da noite de 4 de outubro de 1582. Exatamente no dia seguinte efetuou-se a Mudança para o calendário gregoriano, que suprimiu dez dias, de modo que a festa da santa foi fixada, mais tarde, para o dia 15 de outubro. Foi sepultada em Alba de Tormes, onde repousam suas relíquias.
Teresa é uma das maiores personalidades da mística católica de todos os tempos. Suas obras, especialmente as mais conhecidas (Livro da Vida, Caminho de Perfeição, Moradas e Fundações), contém uma doutrina que abraça toda a vida da alma, desde os primeiros passos até à intimidade com Deus no centro do Castelo Interior. Suas cartas no-la mostram absorvida com os problemas mais triviais. Sua doutrina sobre a união da alma com Deus é bem firmada na trilha da espiritualidade carmelita, que ela tão notavelmente soube enriquecer e transmitir, não apenas a seus irmãos, filhos e filhas espirituais, mas à toda Igreja, à qual serviu fiel e generosamente. Ao morrer sua alegria foi poder afirmar: "Morro como filha da Igreja".
Foi canonizada em 1622. No dia 27 de setembro de 1970, o Papa Paulo VI conferiu-lhe o título de Doutora da Igreja.
Santa Teresa de Ávila é considerada um dos maiores gênios que a humanidade já produziu. Mesmo ateus e livres-pensadores são obrigados a enaltecer sua viva e arguta inteligência, a força persuasiva de seus argumentos, seu estilo vivo e atraente e seu profundo bom senso. O grande Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório, a tinha em tão alta estima que a escolheu como patrona, e a ela consagrou-se como filho espiritual, enaltecendo-a em muitos de seus escritos.
Sua festa é comemorada no dia 15 de outubro.


sábado, 13 de outubro de 2012

OFFICIVM PARVVM CONCEPTIONIS IMMACVLATÆ




Ad Matutinum

V. Eia, mea labia, nunc annuntiate,
R. Laudes et præconia Virginis beatæ.

Ad Completorium

V. Convertat nos, Domina, tuis precibus placatur Iesus Christus Filius tuus.
R. Et avertat iram suam a nobis.

Ad Horas Omnes
V. Domina, in adiutorium meum intende.
R. Me de manu hostium potenter defende.

V. Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto.
R. Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in sæcula sæculorum. Alleluia*.

AD MATUTINUM

Salve, mundi Domina,
Cælorum Regina:
Salve, Virgo virginum,
Stella matutina.

Salve, plena gratia,
Clara luce divina.
Mundi in auxilium,
Domina, festina.

Ab æterno Dominus
Te præordinavit
Matrem unigeniti
Verbi, quo creavit.

Terram, pontum, æthera,
Te pulchram ornavit
Sibi Sponsam, quæ
In Adam non peccavit.

V. Elegit eam Deus, et præelegit eam.
R. In tabernaculo suo habitare fecit eam.

CONCLUSIO HORAE

Oremus

Sancta Maria, Regina cælorum, Mater Domini nostri Iesu Christi, et mundi Domina, quæ nullum derelinquis, et nullum despicis: respice me, Domina, clementer oculo pietatis, et impetra mihi apud tuum dilectum Filium cunctorum veniam peccatorum: ut qui nunc tuam sanctam et immaculatam conceptionem devoto affectu recolo, æternæ in futurum beatitudinis, bravium capiam, ipso, quem virgo peperisti, donante Domino nostro Iesu Christo: qui cum Patre et Sancto Spiritu vivit et regnat, in Trinitate perfecta, Deus, in sæcula sæculorum. Amen.

V. Domina, protege orationem meam.
R. Et clamor meus ad te veniat.

V. Benedicamus Domino.
R. Deo gratias.

V. Fidelium animæ per misericordiam Dei requiescant in pace.
R. Amen.

AD PRIMAM

Salve, Virgo sapiens,
Domus Deo dicata,
Columna septemplici
Mensaque exornata.

Ab omni contagio
Mundi præservata.
Semper sancta in utero
Matris, ex qua nata.

Tu Mater viventium,
Et porta es sanctorum.
Nova stella Iacob,
Domina angelorum.

Zabulo terribilis
Acies castrorum.
Porta et refugium
Sis Christianorum.

V. Ipse creavit illam in Spiritu Sancto.
R. Et effundit illam super omnia opera sua.

Conclusio horae

  
AD TERTIAM

Salve, arca foederis,
Thronus Salomonis,
Arcus pulcher ætheris,
Rubus visionis.

Virga frondens germinis,
Vellus Gedeonis,
Porta clausa numinis,
Favusque Samsonis.

Decebat tam nobilem
Natum præcavere
Ab originali
Labe matris Evæ.

Almam, quam elegerat,
Genetricem vere,
Nulli prorsus sinens
Culpæ subiacere.

V. Ego in altissimis habito.
R. Et thronus meus in columna nubis.

Conclusio horae


AD SEXTAM
Salve, Virgo puerpera,
Templum Trinitatis,
Angelorum gaudium,
Cella puritatis.

Solamen moerentium,
Hortus voluptatis,
Palma patientiæ
Cedrus castitatis.

Terra es benedicta
Et sacerdotalis,
Sancta et immunis
Culpæ originalis.

Civitas altissimi,
Porta orientalis:
In te est omnis gratia,
Virgo singularis.

V. Sicut lilium inter spinas
R. Sic amica mea inter filias Adæ.

Conclusio horae

  
AD NONAM

Salve, urbs refugii,
Turrisque munita
David, propugnaculis
Armisque insignita.

In conceptione
Caritate ignita
Draconis potestas
Est a te contrita.

O mulier fortis,
Et invicta Iudith!
Pulchra Abisag virgo
Verum fovens David!

Rachel curatorem
Aegypti gestavit:
Salvatorem mundi
Maria portavit.

V. Tota pulchra es, amica mea.
R. Et macula originalis numquam fuit in te.

Conclusio horae


 AD VESPERAS

Salve, horologium,
Quo, retrogradiatur
Sol in decem lineis;
Verbum incarnatur.

Homo ut ab inferis
Ad summa attollatur,
Immensus ab angelis
Paulo minoratur.

Solis huius radiis
Maria coruscat;
Consurgens aurora
In conceptu micat.

Lilium inter spinas
Quæ serpentis conterat
Caput: pulchra ut luna
Errantes collustrat.

V. Ego feci in cælis ut oriretur lumen indeficiens.
R. Et quasi nebula texi omnem terram.

Conclusio horae


AD COMPLETORIUM

Salve, virgo florens,
Mater illibata,
Regina clementiæ,
Stellis coronata.

Super omnes angelos
Pura, immaculata,
Atque ad regis dexteram
Stans veste deaurata.

Per te, mater gratiæ,
Dulcis spes reorum,
Fulgens stella maris,
Portus naufragorum.

Patens cæli ianua
Salus infirmorum
Videamus regem
In aula sanctorum.

V. Oleum effusum, Maria, nomen tuum.
R. Servi tui dilexerunt te nimis.

Conclusio horae


 AD COMENDARIONEM

Supplices offerimus
Tibi, virgo pia,
Hæc laudum præconia:
Fac nos ut in via

Ducas cursu prospero,
Et in agonia
Tu nobis assiste,
O dulcis Maria.

R. Deo gratias.


Ant.
Hæc est virga in qua nec nodus originalis, nec cortex actualis culpæ fuit.

V. In conceptione tua virgo immaculata fuisti.
R. Ora pro nobis Patrem, cuius Filium peperisti.

Oremus
Deus, qui per Immaculatam Virginis conceptionem dignum Filio tuo habitaculum præparasti: quæsumus, ut qui ex morte eiusdem Filii tui prævisa eam ab omni labe præservasti, nos quoque mundos eius intercessione ad te pervenire concedas. Per eundem Christum Dominum nostrum. Amen.






quinta-feira, 4 de outubro de 2012

SÃO FRANCISCO DE SALES: Modelo de vida cristã


Do Evangelho segundo São Lucas 6,31-36: Como quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Se amais os que vos amam, que graça alcançais? Pois até mesmo os pecadores amam aqueles que os amam. E se fazeis o bem aos que vo-lo fazem, que graça alcançais? Até mesmo os pecadores agem assim! E se emprestais àqueles de quem esperais receber, que graça alcançais? Até mesmo os pecadores emprestam aos pecadores para receberem o equivalente. Muito pelo contrário, amis vossos inimigos, fazei o bem e emprestais sem esperar coisa alguma em troca. Será grande a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo, pois ele é bom para com os ingratos e com os maus. Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.

A esta citação podemos acrescentar: Sede doces e amáveis, como vosso Pai é doce e amável. Diz-nos a Palavra de Deus que não há mérito em amar a quem nos ama. Tampouco ser doces e amáveis com aqueles que nos agradam, com quem nos trata bem. O Senhor nos disse: Também assim fazem os pecadores.

É aqui onde entra São Francisco de Sales como modelo exemplar de virtude. Sua doçura não era segundo a carne, falsa e aparente, fruto do desejo de agradar os homens e não a Deus. Era uma doçura verdadeira, posta a prova no crisol... Doçura que partia do seu coração enxertado no Coração do Senhor, que o fazia terno, misericordioso, e amável com o próximo. Diz-nos o papa Pio XI que “Engana-se quem acredita que sua doçura era privilégio de sua natureza. São Francisco de Sales por seu temperamento era de caráter vivo e irado, porém havendo-se colocado por modelo de imitação Jesus manso e humilde de coração, com a ajuda da graça e o domínio de si mesmo, conseguiu refrear os movimentos de seu caráter de tal maneira que chegou a ser imagem do Deus da paz e da doçura”.

Ele mesmo admitia, e seus historiadores nos confirmam que tinha um temperamento forte, que era uma pessoa irascível. No entanto, através de seus escritos vemos claramente refletida essa doçura que foi seu caráter distintivo, e pelo qual seu espírito livrou grandes batalhas. É conhecido na história da Igreja como o Santo da Amabilidade, título meritório ao nosso santo patrono por sua vida ascética, e pela morte ao amor-próprio, vivendo cotidianamente sua resposta de amor a Cristo. Diz-nos Monsenhor Camus que ao retirar seu fel o encontraram convertido em 33 pedrinhas, sinal dos esforços tão heroicos que fazia para vencer seu temperamento tão inclinado a cólera e ao gênio mau.

Depois de uma ocasião em que teve que repreender um jovem que maltratava sua mãe, disse: “Temo em perder em um quarto de hora a pouca doçura que tenho conquistado a 22 anos gota a gota, como o orvalho do meu pobre coração... como uma abelha que demora vários meses em fazer um pouco de mel e que um homem consome em um bocado”. E em outra oportunidade disse: “Sentia ferver a cólera em meu cérebro como ferve água em vaso que está sobre o fogo”.

Aqui está a chave, a primeira lição que nos ensina nosso Santo Patrono para a aquisição das virtudes e conhecer-nos a nós mesmos. A mansidão e a humildade são o cimento da aquisição de todas as demais virtudes, pois só pode dominar-se a si mesmo aquele que reconhece sua fraqueza e está disposto a dobrar a vontade. Também, o domínio sobre si mesmo faz o homem aberto, acolhedor e doce para com o próximo.  Não podemos trabalhar naquilo que não vemos, e necessitamos humildade para ver, pois o que necessitamos ver não é algo que necessariamente gostamos de ver: nosso próprio pecado. Aquele cego a quem Jesus curou no sábado disse aos fariseus: Pôs-me barro sobre os olhos, me lavei e vejo. (Jo 9,15). Temos que como São Francisco de Sales, permitir que o Senhor ponha o barro de nosso pecado sobre nossos olhos, logo lavar esse barro com a água da oração, da mortificação diária, da penitencia e esperar em Deus que possamos algum dia ver como ele viu.

Que via São Francisco de Sales? Esta é a segunda lição que nos dar na aquisição das virtudes. Seu olhar estava fixo em Cristo Crucificado. De fato, culmina uma de suas grandes obras: o Tratado do Amor de Deus, com um capítulo intitulado: Que o monte calvário é a verdadeira academia da dilação. Dizia as religiosas: “Vivei toda a vossa vida e modelai vossas as ações sobre o cume do Calvário, e Deus as abençoará”.Isto dizia com a autoridade de quem vive aquilo que aconselha. Temos dito que a doçura de São Francisco de Sales não era nata senão que a exercitou... e a exerceu junto com todas as demais virtudes, situando-se ele mesmo no cume do Calvário, contemplando o Transpassado.
Ele nos diz: “Segui sendo amáveis, vede o Filho de Deus. De quantas contradições e murmurações não foi objeto... sendo como era tão santo, foi tido por impostor, por samaritano possuído pelo demônio, e muitas vezes tomaram pedras para apedrejá-lo. Portanto, não amaldiçoou os que o amaldiçoaram, devolveu benção por maldição, conservando sua alma na paciência”.  É este o legado que deixa a nós, um caminho sólido de espiritualidade que radica na contemplação de Cristo, e na cooperação ativa com a graça do Espírito que não se limita em derramar-se nos corações generosos como o seu.
O suportar as imperfeições do próximo é um dos principais pontos do amor. Na Cruz nos mostrou Nosso Senhor, o qual tinha um Coração tão doce para conosco e nos amava ternamente... Que miseráveis somos os mundanos, porque a duras penas podemos esquecer as injúrias que nos fazem!  Por conseguinte, o que provenha a seu próximo com bênçãos de doçura, será o mais perfeito imitador de Nosso Senhor. A imitação de Cristo, seu amor ao Crucificado, era o que o movia vencer-se a si mesmo e a adquirir as virtudes.
Contemplar um Deus que nos amou até o extremo, deve impelir-nos a consolação e a reparação. São Francisco de Sales nos ensina que nossas debilidades e baixas paixões nos dão uma grande oportunidade para irmos contra as mesmas, resistindo-as para que possamos oferecer-nos como sacrifícios vivos. Diz-nos ainda: “As rebeliões de nossas paixões: a ira, a sensualidade e a concupiscência, permite Deus que permaneçam em nós para que nos mantenhamos na humildade, e para que exercitemos na virtude resistindo-as e não as consentindo”.

“Nós, minhas queridas irmãs, queremos levantar um grande edifício, é dizer, queremos edificar em nós a casa de Deus. Por conseguinte, consideremos maduras, se temos bastante ânimo e resolução, para derrubar-nos e crucificar-nos a nós mesmos, melhor dizendo, para permitir a Deus que Ele mesmo nos derrube e crucifique, a fim de que também Ele construa, para que sejamos o templo vivo de sua Majestade”.
Além disso nos recorda que, “As virtudes formadas no tempo de prosperidade são portanto mais fracas e inconstantes: porém as que crescem no meio das aflições são sempre fortes e duradoras: E também: “Não nos suceda o que disse o salmo 106 acerca de Moisés: o tiraram da paciência e disse palavras indevidas: as palavras duras que calamos, são nossas escravas. As palavras indevidas que dizemos são nossas tiranas. Que nosso falar seja pouco e amável, pouco e doce, pouco e cheio de bondade.

São Francisco nos diz que a falta de doçura, e a falta de amabilidade, “provém de nos deixamos conduzir pela própria inclinação, pelas paixões ou afetos pervertendo assim a ordem que Deus estabeleceu em nós, segundo o qual tudo deveria estar sujeito à razão”. Ademais descreve nossa natureza com estas palavras: “instabilidade, inconstância, variações, mudanças, pressas, que agora me fazem ser fervoroso e amável, e pouco depois frouxo e negligente, agora alegre e depois melancólico. Estou tranquilo uma hora e depois dois dias inquieto”. Obrando deste modo “nossa vida transcorrerá no descuido e na perca de tempo”. “Que triste, irmãs, que depois de haver entregado a vida a Cristo, resulte que seja uma vida descuidada e ter perdido tempo”.

Quando nosso Santo dirigia estas palavras as Religiosas da Visitação, falava por experiência própria: “Há que baixar continuamente a cabeça, e marchar contrário de vossos costumes e inclinações, encomendando-os a Nosso Senhor, e em tudo os dulcificando, e não pensando em outra coisa senão na pretensão desta vitória”. E também: “Que posso dizer-vos, senão o que tantas vezes os tenho dito? Que sigais vossa vida ordinária o melhor que puderdes com amor de Deus, fazendo sempre atos interiores de amor e também exteriores, sobretudo acomodando vosso coração até onde possais a santa doçura e tranquilidade: doçura com o próximo, embora seja molesto e irritante; tranquilidade com vós mesma, mesmo que esteja tentada a afligir-se”. “Sede sempre o mais amável que puderdes, porque se apanham mais moscas com uma colherada de mel, que com cem barris de vinagre. Se é preciso cair em algum extremo, que seja de doçura”.

Para São Francisco de Sales a paz é uma conquista. Durante 22 anos buscou sempre vigiar sobre si mesmo, examinando sua consciência frente a aquisição desta virtude, e como dizia São Paulo: “Sede alegre na esperança, paciente na tribulação e perseverante na oração”. (Rm 12,12)
As virtudes crescem pelo esforço. Todas elas, com exceção das teologais, são executáveis. As coisas de Deus são ativas, nada é passivo... gota a gota... sempre para frente. É possível chegar a ter um coração puro, virtuoso, pois para isso morreu Cristo na Cruz, e para isso nos deixou o Espírito Santo.  Chegar a ter um coração puro se requer dor, muita morte a si mesmo, porém como nos mostra nosso Santo da Amabilidade, é possível!

Cristo sofreu e morreu antes de ressuscitar. O caminho já estar traçado. Foi o mesmo caminho que percorreu São Francisco, e é o mesmo que devemos percorrer, não existe outro. Os discípulos a caminho de Emaús diziam entre si: Como pode ser possível que Jesus, o profeta poderoso em palavras e obras tenha sido condenado à morte e crucificado? E que lhes disse o Senhor? Oh insensatos e lentos de coração para crer em tudo o que disseram os profetas? Não era necessário que Cristo padecesse para entrar na sua glória? Do mesmo modo nós em nosso cotidiano podemos dizer: Como pode ser possível que me custe tanto o trato com tal pessoa? Como pode ser possível que me custe tanto a doçura, a amabilidade, ou qualquer outra virtude? Como é possível que tal situação não mude? Como é possível que continue caindo no mesmo pecado? Porém Jesus hoje nos diz o mesmo que disse a aqueles discípulos, e nos diz dando-nos o exemplo de alguém para quem o impossível se faz possível em Cristo, que tudo fortalece. Que nosso coração não seja lento em tomar consciência de que não podemos chegar a terra prometida sem passar pelo deserto. Diz-nos São Francisco de Sales: “Se seguimos a Jesus Cristo, correremos continuamente atrás dele, que nunca se deteve, antes bem, continuou a rota de seu amor até a morte e morte de Cruz”.

Também nos diz que a prática das virtudes na vida religiosa, se leva a cabo no silêncio de uma vida escondida, uma vida posta ao descobrimento somente diante de seu divino Esposo. “A imitação de Nossa Senhora e de São José, devemos encerrar nossas virtudes e tudo o que possa ganhar a estima dos homens, contentando-nos com agradar a Deus, e permanecendo sob o sagrado véu da abnegação de nós mesmos, na espera que Deus, quando venha, para levar-nos ao lugar da segurança, que é a glória, faça que se manifestem nossas virtudes para sua honra e para sua glória”.

Outra lição que nos dá São Francisco de Sales é um eco das palavras de São João em sua primeira carta: “Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e seu amor em nós é realizado” (1Jo 4,12).“Quem não ama seu irmão a quem vê, não pode amar a Deus a quem não vê”.(1Jo 4,20).  São Francisco de Sales dizia a uma religiosa que se dedicava a penitências exageradas: “Nossa melhor mortificação é esforçarmos por não pecar”. “Que grande mortificação sorrir a quem nos incomoda, e dedicar amavelmente o tempo a escutar com bondade o próximo”. “Aquele que é doce não ofende a ninguém, suporta e sofre de boa vontade aos que lhe fazem mal, sofre pacientemente os golpes e devolve mal por mal. Aquele que é doce não se perturba jamais, senão que inflama todas as suas palavras na humildade, vencendo o mal com o bem”. Quando chegará o dia que estejamos todos inflamados em doçura e suavidade com o próximo? Quando veremos as almas de nossos próximos no sagrado peito do Salvador? Aquele que olha fora daí corre o risco de não amá-lo com pureza, constância e com igualdade.

Na prática das virtudes, temos São Francisco de Sales como modelo no vencimento de nós mesmos. “Sofrer uma ligeira palavra, reprimir um leve sentimento, condescender com a vontade do próximo, executar uma indiscrição, mortificar um pequeno desejo, há uma porção de atos virtuosos ao alcance de todos e cuja oportunidade se nos apresenta”. “Na variedade das ocorrências desta vida conservai sempre a igualdade de ânimo, pois é grande perfeição e muito agrada a Deus”.

No Santo Bispo de Sales, o amor de Deus se projetou de forma palpável na doçura para com o próximo. É também o papa Pio XI quem nos diz que a doçura pastoral de que ele estava adornado atraia os corações com a força daquelas palavras que disse Jesus: “Bem-aventurados os mansos porque herdarão a terra”. (Mt 5,4).

Certamente, possuía seu coração e possuía-o para entrega-lo ao Senhor como holocausto. A sua doçura, que foi a rainha dentre suas virtudes, a acompanhou como um cortejo de todas as demais virtudes: a mansidão, o sacrifício, a pureza...todas! É maravilhosos ver como sua docilidade a graça fez dele O doutor e mestre de tantas virtudes, e como as soube ensinar de forma tão simples e tão prática, especialmente em seus escritos as religiosas. Deus nos deu nele um meio para tirar água com alegria das fontes de seu ensinamento.

Ele nos diz: “Podemos ter alguma classe de virtude nem ter as demais, e apesar disso, não podemos de maneira nenhuma, possuir virtudes perfeitas sem ter todas”. “As virtudes perfeitas jamais estão separadas umas as outras”.

Por Servas dos Corações transpassados de Jesus e Maria - SCTJM
Trad. Darlan Santos


domingo, 30 de setembro de 2012

FESTA DE SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

"Passarei o meu céu fazendo o bem sobre a Terra"


Teresa Martin nasceu em Aleçon (Orne), pequeno lugarejo da Normandia francesa, no dia 2 de janeiro de 1873 da uma familia rica de profunda fé cristã, última de oito filhos, 3 destes morrerão pequenos, porque naquele tempo a mortalidade infatil não tinha sido vencida. Todavia apesar das tragédias na familia Martin reina uma sólida fé que os consente de passar qualquer problema à presença de Deus.

O pai Louis Martin nascido no dia 22 de Agosto em Bordeaux, era relojoeiro, tinha aprendido o seu trabalho na Suiça, desde menino tinha seguido seu pai em Avignone, Strasburgo e assim conheceu a vida dos campos militares até que este se aposentou e se transferiram a Aleçon no ano de 1830. Louis aos 22 anos sonha uma vida religiosa e se apresenta ao mosteiro do Grande São Bernardo mas não vem aceitado porque não conhecia o latim, todavia por oito anos conduz uma vida quase monástica, toda dedicada ao trabalho, a oração e a leitura.

A mãe Zélie Guérin, nascida o dia 23 de Dezembro de 1831 em uma familia de origem humilde, foi educada por um pai autoritário e por uma mãe muito severa, também ela pensa à vida religiosa, mas o seu pedido de ser acolhida nas freiras do Hotel Dieu d’Aleçon foi negada e então se lança na fabricação do "Ponto de Aleçon" abre uma loja e se transforma em uma hábil trabalhadora e terá sucesso.

Já desde o seu nascimento, Teresa conhece o sofrimento: a somente quinze dias de vida risca de morrer devido a uma enterite aguda. Com dois meses Teresa supera uma crise porém a mãe foi obrigada, sob conselho médico, de separar-se da filha e dá-la por um período a uma ajudante.

Com quatro anos Teresa perde a mãe, devido a um cancer no seio, todavia as irmãs fazem do melhor para crescer a pequena Teresa, no mesmo período se transferem a Lisieux (Calvados). Com nove anos quando sua irmã Paulina, a sua "pequena mãe", entra ao Carmelo da cidade, Teresa cai gravemente doente. Ninguém sabe diagnosticar a doença. Teresa, familiares e amigos oram muito. No dia 13 de Maio de 1883, quando já parecia inevitável a morte, Teresa vê a Virgem sorridente e imediatamente se restabelece. A cura repentna e aquele sorriso materno de Maria a fazem ainda mais determinada a realizar o sonho de sempre ou seja, consagrar-se totalmente ao Amor. Na primeira comunhão (8 de Maio de 1884) Teresa experimentou de sentir-se amada "foi um beijo de amor, me sentia amada e dizia também: Te amo, me dou a ti para sempre".

Sucessivamente também a primogenita Maria entra no Carmelo. Aos 14 anos, Teresa anuncia ao pai a intenção de entrar no Carmelo. Aos 15 anos (o 9 abril 1888) passa pelo portão da clausura, depois de ter obtido – considerada a sua jovem idade – uma autorização particular do papa Leão XIII, que encontrou no dia 20 de novembro de 1887 em Roma. No Carmelo era calmíssima e reencontrou a paz, que não a abandonou mais, nem durante a prova. A madre Gonzaga, apesar da jovem idade de Teresa a tratava com severidade, todavia ela nunca se lamentou.

No entanto as condições do pai pioravam. A arterioesclerose devastou o pai de Teresa que foi interdito e internado por três anos em um hospital. Este fato lhe deu uma terrível dor.

Mas as provas maiores para ela não foram aquela da saúde, mas a "noite" do espirito que a coenvolveu por 18 meses. Experimentou isto não através das frequentações dos ateus, mas no silencio de Deus entendeu a condição do ateu: "Deus permitiu que a alma minha fosse invadida pelas trevas e que o pensamento do Céu, dulcíssimo para mim, não existisse, mas era somente luta e tormento".

A sua saúde ruim todavia não resistia muito tempo ao rigor da regula carmelitana e no dia 30 de setembro de1897, à idade de 24 anos, morrerá de tubercolose, vivendo dia a dia os seus sofrimentos em perfeita união a Jesus Cristo morto em cruz, para a salvação dos homens.

Este período de nove anos transcorridos em uma vida de religiosa, aparentemente sem importância, terão um maravilhoso significado espiritual, tanto mais forte se se considera que naquela época muitas pessoas simples, graças ao seu exemplo, se sentem de poder imitar e alcançar o mesmo nível desta alma sem pretender nada ou sem complicações, mas todavia muito exigente com si mesma. Aquela de Teresa é a "estrada da infância", ou "pequena estrada" que faz reconhecer a própria miséria e se abandona com confiança à bondade de Deus como uma criança nos braços de sua mãe.

Na vida de Teresa tudo é um contraste. A sua linguagem é pobre e frequentemente infantil, mas o seu pensamento é genial. A sua vida aparentemente sem dramas é invés uma tragédia de fé. A sua existência se é passada entre quatro paredes do Carmelo, no entanto a sua mensagem é universal.

Teresa escreveu muito. Compôs tres manuscritos, um no ano de 1895, "Historia de uma alma" (chamado manuscrito A), autobiografia escrita porque pedida pela irmã Paulina (madre Agnese) um outro no ano 1897 (chamado manuscrito B), ano em que escreve para obedecer à sua priora. As suas irmãs depois recolheram as suas "últimas conversações" no maio de 1897 no dia da sua morte (este chamado manuscrito C). Ficam admirados também pelo grande número de cartas enviadas à familia e das numerosas poesias que compôs. Teresa sofreu muito. As provas espirituais que passou no curso desta vida escondida (noite da fé, vazio espiritual, tentação de não crer) a fazem muito perto àqueles que duvidam e não creem.

Teresa é conhecida quando morre em 1897, mas quando vem canonizada venti oito anos mais tarde, em 1925, a fama da sua santidade se é espalhada rapidamente no mundo inteiro: Lisieux será uma das destinações mais procuradas da grande massa de fiéis de todas as partes do mundo. Teresa vem proclamada, no mesmo ano, sempre pelo papa Pio XI padroeiro universal das Missões, - que ela rezou sempre sem trégua –padroeira da França, como Joana d’Arco.

Em 1997, centenário da sua morte, Teresa é declarada "Doutora da Igreja", a terceira mulher que alcança o máximo de consideração teolgóica em dois mil anos de Cristianismo, depois de Santa Caterina de Siena e Santa Teresa d’Avila.

O santo é visto como um protótipo que polariza as energias e indica como realizar o Evangelho em uma determinada época. S. Teresa de Lisieux é profundamente moderna porque ajuda o espirito e o coração a fundir as coisas da terra àquelas do céu e entender as coisas de Deus, do seu Amor, aos comportamentos mais concretos.

Na linguagem de hoje se fala frequentemente de tensão, para exprimir a dificuldade que tem um homem em viver coscientemente a nível espiritual. S. Teresa nos oferece um equilíbrio harmonioso. Por este motivo pode ser facilmente utilizada como modelo de vida espiritual.




sábado, 22 de setembro de 2012

MARIA, MATER MISERICORDIAE

Doravante as gerações me chamarão Bem-Aventurada.


Existe uma íntima relação entre Maria Santíssima, a Mãe de Jesus, o mistério da misericórdia divina e a prática da misericórdia. Maria está desde a sua concepção envolta na misericórdia infinita do Pai, pelo Filho e no Espírito (preservada do pecado e do demônio), ao mesmo tempo em que o seu agir – antes e depois da sua Assunção – está assinalado pelo amor efetivo aos seres humanos (especialmente pelos pecadores e sofredores).
Oficialmente a Igreja Católica aprovou a 15/8/1986 o formulário da Missa Votiva “Santa Maria, Rainha e Mãe de Misericórdia”, importante marco para a história de sua veneração – sem nos esquecermos de que a 30/11/1980 o Papa João Paulo II destacara na sua Encíclica Dives in misericordia que Maria é a “pessoa que conhece mais a fundo o mistério da misericórdia divina” (n. 9). Anos depois o Catecismo da Igreja Católica (1997) dirá que ao rezar na Ave-Maria: “rogai por nós, pecadores”, estamos recorrendo à “Mãe da misericórdia” (n. 2677).
A invocação “Salve, Rainha de misericórdia” se encontra pela primeira vez com o Bispo Adhémar, de Le Puy (+ 1098); destaca a qualidade do olhar materno de Maria: “esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei”, e conclui com o sentido desta sua misericórdia: “ó clemente, ó piedosa, ó doce, Virgem Maria”. Já o título “Mãe de Misericórdia” se crê que foi dado pela primeira vez a Maria por Santo Odão (+942), abade de Cluny. “Ego sum Matermisericordiae” (Eu sou a Mãe de Misericórdia), Maria lhe teria dito em sonho.
No mundo oriental podemos encontrar testemunhos ainda mais antigos. O padre oriental da Tiago de Sarug (+521), aplicou a Maria explicitamente o título de “Mãe de misericórdia” (Sermo de transitu), o que é por muitos considerado como sua primeira atribuição em absoluto.

Relação com a Mensagem da Divina Misericórdia

Em Vilna, capital da Lituânia, se venera a imagem da Mãe da Misericórdia de AušrosVartai (Portal da Aurora) desde 1522, localizada numa das entradas do antigo muro. Em 1773 o Papa Clemente XIV concedia indulgências a quem rezasse ali com devoção, e em 1927 o Papa Pio XI permitiu que a pintura fosse solenemente coroada com o título de Maria, Mãe de Misericórdia. Sua festa é celebrada a 16 de novembro.

Em nossos tempos, Santa Faustina Kowalska†, mística polonesa, nos repropõe a centralidade da Divina Misericórdia para a fé e a vida da Igreja, recorrendo a Maria Santíssima como Mãe da Misericórdia, padroeira da Congregação religiosa a que pertencia (cf. Diário 79, 449, 1560), cuja festa celebravam (a Congregação) em 5 de agosto. Por Providência divina, a primeira vez em que a imagem de Jesus Misericordioso foi publicamente venerada foi justamente em Vilna (cf. Diário, 417).
Em qual sentido podemos proclamar Maria como Mãe de misericórdia? Sem cometer o grave equívoco de pensar que a misericórdia é reservada a Maria e a justiça a Jesus (como muitos medievais chegaram a pensar), o título “Mãe da Misericórdia” ou “Mãe de misericórdia” assim se justifica: Maria é a mulher que experimentou de modo único a misericórdia de Deus – que a envolveu de modo particular desde a sua Imaculada Conceição, passando pela Anunciação, como discípula fiel do seu Filho, até o grande momento da Sua Páscoa (paixão, morte, ressurreição, glorificação e Pentecostes). Ela é kecharitoméne, “cheia de graça”, ou seja, totalmente transformada pela benevolência divina (cf. Ef 1,6).

Maria é a mãe que gerou a misericórdia divina encarnada – graça extraodinária que coloca a jovem Maria, a partir da Encarnação do Filho de Deus, numa relação inimaginável de intimidade com o próprio “Pai das misericórdias” (2Cor 1,3). A partir do seu “eis-me aqui” e o seu “faça-se”, a misericórdia divina se faz carne e entra na história!Maria é a profetisa que exalta a misericórdia de Deus – pois no seu cântico o “Magnificat” por duas vezes – unida ao Filho do Altíssimo e ao seu Espírito – ela louva ao Pai misericordioso: “a sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem”; “socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia” (Lc1,50.54).
Maria é a intercessora incansável do povo de Deus – elevada aos Céus em corpo e alma, Maria não deixa de apresentar as necessidades dos fiéis ao seu Filho, a quem rogou pelos esposos de Caná, quando vivia na terra (cf. Jo 2,1ss). Ela “continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna”, ensina o Concílio Vaticano II (Lumen gentium, n. 62), praticando assim a misericórdia, sobretudo para com os que padecem dos males da alma (pecadores), mas também do corpo (todos que sofrem).Maria é a apóstola incansável da misericórdia divina – com a permissão e o envio do seu Filho, Maria visitou inúmeras vezes os seus filhos ainda peregrinos neste mundo, o que podemos contemplar nas aparições que já gozam de beneplácito eclesial (Guadalupe, La Salette, Lourdes, Knock, Fátima etc.), convidando a todos a se aproximarem do “trono da graça” que é o seu Filho. Com o seu coração compassivo de Mãe, não poderia permanecer indiferente às mazelas dos seus filhos neste vale de lágrimas!

A Mãe de Jesus e nossa merece, portanto, ser honrada como Mãe da Misericórdia e Mãe de misericórdia! Ó Maria, Mãe que experimentastes e gerastes a Misericórdia, Mãe que proclamais e exerceis a misericórdia, fazei de nós autênticos apóstolos deste mesmo mistério de amor em nossos tempos. Amém.


sábado, 15 de setembro de 2012

MÃE E SENHORA DAS DORES

15 de setembro
“Teu filho será causa de queda e reerguimento para muitos. Ele será sinal de contradição e o teu coração será transpassado por uma espada! (Lc. 2, 34-35)”.


Eis o tesouro onde eram guardadas todas as coisas, todas as lembranças; o Coração de Maria, um coração tão humano, tão cheio de lembranças de momentos de alegrias e de dores. Um coração tão semelhante ao de Jesus, um coração tão cheio de amor.
Simeão predisse os combates, as dores e os sacrifícios que estariam diretamente ligados ao Messias no mistério da redenção.

Foi somente na apresentação do Menino Jesus e pelas palavras de Simeão que Maria viu claramente que o Mistério da Redenção lhe reservava uma boa parte de sofrimentos.
Maria conhecia, como todo o seu povo, as profecias das Sagradas Escrituras referentes ao seu Filhinho, o Messias, o Esperado.

O grande São Bernardo no deixou escrito que: “O Martírio da Virgem comemora-se tanto na Profecia de Simeão, como na própria Paixão do Senhor”.
Martírio de Maria? Na ladainha a invocamos como Rainha dos Mártires, e lemos no Profeta Isaias que: “Ele te coroará com uma coroa de tribulação... (Is. 22, 18)”, podemos concluir que o maior martírio, ou seja, a maior prova de sofrer inocentemente pela verdade e pela justiça no amor de Deus, foi suportado por Jesus e compartilhado por sua Mãe.

O peregrinar de Maria foi um misto de alegrias e dores, assim, logo após as alegrias da anunciação, do nascimento, do reconhecimento e da adoração dos Magos. Temos a dor da profecia de Simeão; a dor da fuga da fúria de Herodes; a dor da perda do Menino Jesus no templo e, em contrapartida, a alegria do reencontro; a dor do encontro a caminho do Calvário; a dor aos pés da cruz; a dor ao receber o corpo inerte e gélido do seu Filho em seus braços e a de ver fechar o túmulo, aliado à alegria de ver o Filho ressuscitado e a de sua Assunção aos céus.

A Grandeza de Maria consiste não só no fato de ser ela a Mãe do Cordeiro Divino, de lhe ter oferecido a carne e o sangue humano, mas também no fato de ter ela mesma nutrido e amparado este cordeirinho e tê-lo conduzido e acompanhado até o altar da cruz.
Foi aos pés da cruz que a Mãe das dores tornou-se a Rainha dos Mártires, e, no dizer de Santo Ambrósio: “Estava ao pé da cruz a Mãe... Olhava com piedade as chagas de Seu Filho sabendo que por elas se ia salvando o mundo”.

A partir do século XIII houve uma explosão de devoções que enalteceram a humanidade de Jesus, ex.: nascimento, a Paixão, etc., e assim também de Sua Mãe Santíssima, atribui-se à belíssima seqüência – Stabat Mater, - Lamentações de Maria (Planctus=Pranto), ao franciscano Jacoponi de Todi.

A liturgia lembra as dores de Maria na Sexta-Feira Santa e no dia 15 de setembro. Foi o Papa Pio VI que introduziu na liturgia a festa de Nossa Senhora das Dores.
Na Igreja os maiores propagadores da Coroa das Dores de Maria são os Servitas – Ordem dos Servos de Maria.

Concluímos com o Beato José de Anchieta em seu poema à Virgem Maria:“Uns açoites e uns cravos, um carvalho nodoso, uma lança e uma coroa ensangüentada, eis toda a minha herança; de tudo isto hei de me apossar como espólio meu legal”.


Bendita sejais, Senhora das Dores!